Um contingente de aproximadamente 43,2 mil alunos, 20% de 216 mil estudantes da rede estadual de ensino, não tiveram nenhum tipo de aula remota durante este período de suspensão das escolas por causa da pandemia do novo coronavírus. Esse grupo tem o maior prejuízo escolar desta pandemia e, para a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEEC), é o que precisa de mais atenção no retorno das aulas presenciais. Do outro lado, a maioria dos estudantes continuaram com aulas e atividades remotas nesta pandemia, mas apenas 120 mil tiveram participação constante.
A maioria dos alunos que não tiveram nenhum tipo de aula remota durante a suspensão das aulas estão em situação de vulnerabilidade social e não possuem acesso a computadores ou a celulares. Para a SEEC, o retorno destes alunos terá que ser feito de forma mais cuidadosa no sistema de ciclos. Eles deverão ver mais conteúdos, já visto pelos alunos com ensino virtual.
As aulas remotas da rede pública estadual estão disponíveis em uma plataforma chamada SigEduc, criada em 2017, mas pouco utilizada até então. As escolas que conseguiram implementar o ensino remoto, baseado na situação dos seus alunos, poderão considerar essas aulas dentro da carga horária.
Mas, segundo as estatísticas da secretaria, nem todos os estudantes com aulas remotas entraram na aula do SigEduc. Alguns viram as aulas constantemente; outros acessaram raras vezes. “Por isso que muito do modelo vai depender do diagnóstico de cada escola vai fazer no primeiro momento de retorno. Por isso que eu digo que cada escola vai ter uma situação específica”, afirmou Getúlio Marques.
O grupo de 43,2 mil estudantes está concentrado em escolas que não tiveram o ensino remoto - cerca de 18% da rede estadual. A SEEC vai esperar o retorno para traçar um diagnóstico da situação desses alunos. Uma das alternativas, segundo Getúlio Marques, é a unificação de turmas de alunos de níveis semelhantes em termos de conteúdos vistos.<br><br>Por causa das medidas de distanciamento social ainda impostas para evitar o novo coronavírus, a rede estadual de ensino, assim como as escolas privadas, não vão voltar com as turmas inteiras dentro de uma sala de aula. O retorno parcial também deve ser com o modelo híbrido de ter grupo de alunos que se revezam na ida às escolas, enquanto permanecem com atividades de casa nos outros dias.
Esse hibridismo - ou retorno parcial - recai novamente sobre alunos que não possuem acesso remoto. Para isso, há dois projetos na SEEC pensados para os alunos em situações mais vulneráveis: materiais impressos com mais conteúdo e aulas transmitidas através da televisão.
O secretário estadual da Educação, Getúlio Marques, disse que isso ainda está em desenvolvimento, mas a ideia é que eles tenham os conteúdos extras para ter mais possibilidade de estudo fora da sala de aula. “Isso está em planejamento, mas a ideia é que existam aulas transmitidas pela televisão para que eles possam ver e estudar fora da sala”, disse.
Escolas particulares querem retomar aulas antes de 14 de setembro
As escolas particulares do Rio Grande do Norte querem retomar as aulas presenciais antes do dia 14 de setembro, nova data estipulada pelo Governo do Estado para possível retorno das atividades presenciais na rede estadual de Educação. A informação foi dada pelo presidente do Sindicato das Escolas Particulares do RN, Alexandre Marinho, na noite de quinta-feira (13). Entretanto, o Estado se preocupa na exposição dos estudantes no trajeto até a escola e com escolas privadas menores, que não possuem protocolos de segurança.
As escolas particulares defendem que a volta às aulas aconteçam com a opção de aulas presenciais ou remotas nas escolas particulares. Segundo Alexandre Marinho, o contingente de alunos que realmente acabaria saindo de casa e indo aos colégios é bem menor que se fossem todos de uma vez.
Segundo ele, os alunos das escolas particulares representam de 15% a 16% do total de alunos da rede de Ensino do RN. E que desse total - segundo sondagens que as escolas privadas fizeram - apenas 30% deveria retornar às salas de aula. Além disso, o retorno seria promovido com base em protocolos de segurança sanitária que garantem a devida proteção aos estudantes.
Esses protocolos foram implantados com base em recomendações de órgãos técnicos e exigiram investimento das empresas na área de Educação. O que torna a situação ainda mais difícil, segundo Marinho. Ele lembrou que nesse período da pandemia, a inadimplência chegou à marca dos 41%. “Nossos protocolos não são baseados em conjecturas. Trabalhamos com a realidade. Em Manaus, faz mais de mês e agora dia 10 começou e não houve acréscimo nos números covid", disse Marinho.<br><br>E acrescentou: “A minha frustração é que todos os segmentos estão funcionando. Shoppings, aulas de dança, academias, tudo funciona. E as escolas, não. Onde é que estão os nossos alunos? Estão nos shoppings, nas praias. É uma preocupação muito grande.”
O secretário Getúlio Marques afirmou que entende a situação das escolas particulares, mas que nem todas estão com protocolos prontos - apenas as de médio e grande porte. “As escolas particulares também enfrentam problemas, sabemos disso e temos visitados algumas. Haverá uma reunião com o comitê científico e os representantes para decidir o melhor modelo”, afirmou.
O presidente do Sindicato disse que a expectativa é conseguir demonstrar ao Comitê Científico e à Secretaria de Educação que compreendam a situação e liberem o retorno dessa parcela das escolas. Segundo Alexandre Marinho, caso isso não seja alcançado, de 20% a 25% das creches e colégio do ensino infantil deverão fechar em definitivo. Conforme disse há por volta de 400 estabelecimentos de ensino do tipo no RN. Marinho comentou que não há nem como mensurar como será o prejuízo em relação às perdas de empregos, caso isso se confirme.