Segundo o meteorologista Gilmar Bristot, da Emparn, a expectativa era de boas chuvas com a atuação do La Niña, mas o cenário foi oposto, com frustração na recarga hídrica e impacto direto na agricultura. “Já há dificuldades na reposição dos mananciais e abastecimento humano pode ser comprometido nos próximos meses”, disse.
Bristot também apontou falhas na comunicação entre os institutos meteorológicos, destacando diferenças metodológicas entre o Inmet e a Emparn. Para ele, falta uma política nacional eficaz para divulgação de alertas climáticos.
O especialista alertou ainda para os efeitos das mudanças climáticas, como aumento da evaporação e redução da umidade do solo, afetando a produtividade agrícola. “Menos comida e preços mais altos são consequências diretas”, afirmou.
Durante entrevista à 94 FM, Bristot criticou fóruns internacionais como a COP30, afirmando que eventos como esse produzem resoluções que não são aplicadas. Ele também denunciou a precariedade no investimento público em meteorologia e revelou que a Emparn necessita de apenas R$ 100 mil por ano para manter sua rede de monitoramento em operação plena.
A Emparn, com apoio da Fapern e universidades, estuda desertificação e mudanças climáticas, mas carece de estrutura suficiente para garantir dados que embasem decisões públicas. “Sem dados, não há decretos, nem planejamento”, destacou.
Ele defendeu que a população também contribua, com atitudes simples como plantar árvores e economizar água e energia. “Cada ação local tem efeito no coletivo”, concluiu.