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Quarta-feira, 06 de Maio 2026

Saúde

Diagnósticos de câncer de pele disparam de 4 mil para mais de 72 mil em uma década

Sul e Sudeste registram as maiores incidências da enfermidade no país

Redação
Por Redação
Diagnósticos de câncer de pele disparam de 4 mil para mais de 72 mil em uma década
© Agência Brasil/Fernando Frazão
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Um levantamento recente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revela um aumento alarmante nos diagnósticos de câncer de pele no Brasil, que passaram de 4.237 em 2014 para impressionantes 72.728 em 2024. A entidade aponta que a ocorrência da doença segue uma distribuição geográfica bem definida, com os estados das regiões Sul e Sudeste exibindo as taxas mais elevadas.

Para 2024, a projeção nacional indicou 34,27 casos por cada 100 mil habitantes, um valor ligeiramente inferior ao pico de 36,28 registrado no ano anterior, 2023. No último ano, Espírito Santo, com 139,37 casos, e Santa Catarina, com 95,65, ficaram no topo da lista. Rondônia, com 85,11, também chamou atenção por apresentar uma alta incidência fora do tradicional eixo Sul-Sudeste.

A SBD atribui esses números a uma confluência de fatores, como a intensificação da exposição solar, a maior proporção de indivíduos com pele clara na população e o progressivo envelhecimento demográfico.

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Embora as regiões Norte e Nordeste apresentem historicamente taxas mais baixas, houve um aumento notável em estados como Rondônia (85,11) e Ceará (68,64) em 2024.

“Em estados que tradicionalmente registram poucos casos, como Roraima, Acre e Amapá, o crescimento observado pode ser um sinal de melhoria na vigilância epidemiológica, embora a subnotificação continue sendo um desafio, especialmente em regiões rurais e de difícil acesso”, comentou a entidade. Para mais informações, siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp.

A importância do diagnóstico precoce

O aumento nos diagnósticos de câncer de pele no Brasil, conforme a SBD, tornou-se mais pronunciado a partir de 2018. Esse período coincidiu com a implementação da obrigatoriedade do preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para exames laboratoriais de biópsias de células e tecidos.

Os dados da SBD também evidenciam uma disparidade significativa: pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam uma dificuldade 2,6 vezes maior para conseguir uma consulta com dermatologista em comparação com aqueles que utilizam a rede privada.

A SBD enfatiza que a ampliação do diagnóstico precoce do câncer de pele está diretamente ligada ao aumento da disponibilidade de consultas na rede pública. A identificação da doença em suas fases iniciais é crucial, pois melhora significativamente as chances de cura e minimiza a necessidade de intervenções terapêuticas mais invasivas.

Acesso a consultas dermatológicas

No que tange às consultas dermatológicas, os registros indicam que o Sistema Único de Saúde (SUS) observou um retorno aos patamares pré-pandêmicos. Após uma queda brusca em 2020, de 4,04 milhões para 2,36 milhões, houve uma recuperação progressiva, alcançando 3,97 milhões de atendimentos em 2024, um número próximo ao de 2019.

Por outro lado, na saúde suplementar, o volume de consultas com dermatologistas permaneceu consistentemente duas a três vezes superior ao do SUS, superando a marca de 10 milhões tanto em 2019 quanto em 2024.

A SBD também aponta que, no período entre 2019 e 2024, a quantidade de consultas com especialistas por mil beneficiários oscilou entre 37,96 (em 2020) e 51,01 (em 2019). Isso reitera a maior oferta de profissionais no setor privado, onde os usuários tiveram acesso a dermatologistas em uma proporção de duas a quase cinco vezes maior.

“Em 2020, essa disparidade atingiu 3,4 vezes; em 2024, ainda se manteve em 2,6 vezes. Mesmo que nem todas as consultas visem especificamente ao rastreamento do câncer de pele, um maior volume de atendimentos eleva as oportunidades de detectar lesões suspeitas em estágios iniciais”, ressaltou a entidade.

“Considerando que o exame clínico visual é a via primordial para o diagnóstico, essa discrepância no acesso pode impactar diretamente o curso da doença, particularmente nos casos de melanoma”, acrescentou a SBD.

Tratamentos de alta complexidade

A SBD argumenta que a desigualdade no acesso à saúde se reflete diretamente na complexidade dos tratamentos. Quando o diagnóstico do câncer de pele não ocorre precocemente, os pacientes frequentemente necessitam de intervenções mais invasivas e prolongadas.

O estudo aponta que diversas cidades do interior do Brasil sofrem com a carência de serviços e com a necessidade de longos deslocamentos para alcançar os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon).

Estados como São Paulo, com 57 unidades (15 Cacons e 42 Unacons), Minas Gerais, com 31 unidades (3 Cacons e 28 Unacons), e Rio Grande do Sul, com 28 unidades (9 Cacons e 19 Unacons), abrigam a maior parte dos ambulatórios especializados, centros de diagnóstico e hospitais capacitados em oncologia dermatológica.

Em contrapartida, unidades federativas como Acre, Amazonas e Amapá dispõem de apenas uma Unacon cada, sem a existência de Cacons. “Essa disparidade assistencial leva a que pacientes dessas áreas recebam o diagnóstico em fases mais avançadas da doença”, lamenta a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Intervalo entre diagnóstico e início do tratamento

Os dados revelam também um aumento no total de casos de câncer de pele tratados no Brasil entre 2014 e 2025. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste a maioria dos pacientes consegue iniciar o tratamento em até 30 dias, no Norte e Nordeste a espera frequentemente excede os 60 dias, o que aumenta o risco de agravamento da condição.

“Em regiões com uma rede de saúde mais robusta, como o Sudeste, os processos são mais céleres e os registros mais detalhados. Diante desse cenário, a SBD preconiza a implementação de ações urgentes”, salientou a entidade, mencionando a garantia de acesso ao protetor solar, a expansão das iniciativas de prevenção e o aprimoramento do diagnóstico precoce.

Acesso ao protetor solar

Em um comunicado oficial, a Sociedade Brasileira de Dermatologia declarou sua intenção de engajar parlamentares brasileiros para que o filtro solar seja incluído na categoria de itens essenciais na Reforma Tributária. “Com a diminuição da carga tributária, prevê-se uma redução nos preços, o que facilitaria o acesso da população a esse produto fundamental”, afirma a nota.

As informações compiladas pela SBD, que oferecem um panorama detalhado do câncer de pele no Brasil, foram enviadas a deputados e senadores. “O objetivo desses documentos é fomentar e subsidiar a regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que estabelece a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer”, conclui a entidade.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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