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Terça-feira, 28 de Abril 2026

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IBGE anuncia primeiro censo da população em situação de rua para 2028

O levantamento inédito será conduzido entre 3 e 7 de julho de 2028, com a previsão de divulgação dos resultados iniciais em dezembro do mesmo ano.

Redação
Por Redação
IBGE anuncia primeiro censo da população em situação de rua para 2028
© Antônio Cruz/Agência Brasil
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que realizará, entre os dias 3 e 7 de julho de 2028, o seu primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua. A expectativa é que os dados preliminares desta pesquisa sejam tornados públicos em dezembro de 2028.

Esta iniciativa pioneira no país foi apresentada pelo instituto ao longo desta semana, com eventos de lançamento ocorrendo em Belém na segunda-feira (27) e no Rio de Janeiro na terça-feira (28). Um novo encontro para divulgação está agendado para São Paulo na próxima quinta-feira (30).

Durante o evento realizado na terça-feira no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua do Rio de Janeiro (CIPOP-RUA/RJ), Marcio Pochmann, presidente do IBGE, expressou que a abordagem metodológica do instituto servirá de modelo para outras nações.

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Segundo a análise de Pochmann, a compreensão do perfil e da procedência desses cidadãos brasileiros pode fundamentar uma reformulação das políticas públicas, visando a um futuro em que “não seja mais necessário realizar levantamentos sobre essa população sem moradia fixa”, afirmou.

O dirigente do IBGE recordou que a primeira tentativa de quantificar pessoas em situação de rua no Brasil aconteceu em São Paulo, entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990.

Em 1991, a capital paulista registrava 3.393 indivíduos sem moradia. Contudo, o levantamento mais recente, realizado em 2025, revelou um alarmante crescimento para 101 mil pessoas.

Orçamento

Pochmann argumentou que este “boom” de pessoas sem moradia “não pode recair apenas sobre o esforço de prefeituras e governos estaduais”, mas sim ser tratado como uma questão nacional, conforme sugerido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele defendeu que, “para tanto, é imprescindível um orçamento público, estabelecido em Brasília e aprovado pelos parlamentares. É fundamental assegurar a garantia orçamentária para a execução deste projeto”.

De acordo com o presidente do IBGE, os fundos destinados ao 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua serão incluídos na proposta orçamentária que o governo federal encaminhará ao Congresso Nacional em agosto.

Marcio Pochmann expressou a crença de que este levantamento representará o cumprimento de uma obrigação do IBGE para com essa parcela da população, jogando luz sobre a realidade desses brasileiros que, até o momento, permaneciam invisíveis.

O IBGE enfatizou que o censo, fruto de uma colaboração com instituições e movimentos sociais, constitui um marco significativo na geração de dados oficiais, com uma metodologia específica elaborada em conjunto com a sociedade civil.

Discriminação

Igor Santos, um indivíduo que já vivenciou a situação de rua, esteve presente no lançamento no Rio de Janeiro e salientou que, frequentemente, são as adversidades da vida, e não a escolha pessoal, que conduzem alguém a viver nas ruas.

Ele relatou: “Muitas vezes, somos alvo de discriminação, vistos com desdém. Por isso, estou aqui para suplicar por auxílio”.

Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, que está fora das ruas há quatro anos, considerou que a execução desta pesquisa “impacta a estrutura do país”.

Ele informou que indivíduos com experiência de vida nas ruas serão empregados para auxiliar na condução do censo, e que as vinte coordenações nacionais do movimento prestarão apoio para assegurar a precisão dos resultados do levantamento.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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