O Governo do Rio Grande do Norte estuda decretar situação de emergência no estado devido à seca, que já afeta 75 municípios reconhecidos pela União. O Gabinete Civil solicitou relatórios à Caern, Emparn, Semarh e outros órgãos sobre abastecimento de água, chuvas e armazenamento hídrico para avaliar a necessidade da medida. A decisão sobre o decreto ainda não tem prazo definido.
Segundo a Caern, até janeiro de 2026, 10 municípios podem entrar em colapso hídrico, afetando aproximadamente 108 mil pessoas. Ouro Branco, Jardim do Seridó e Carnaúba dos Dantas são algumas das cidades com risco iminente de desabastecimento já em setembro. Outras, como Tenente Ananias, enfrentariam o colapso em janeiro do próximo ano.
Dados da Emparn mostram que a quadra chuvosa de 2025 no interior do estado ficou abaixo da média, com declínios entre 40% e 70% nas regiões mais críticas. Além disso, o Igarn aponta que os 69 reservatórios e barragens do RN operam com apenas 46% da capacidade total de 5,2 bilhões de metros cúbicos.
Autoridades e representantes do setor agropecuário defendem medidas emergenciais. José Vieira, presidente da Faern, destacou a necessidade de programas estruturantes, acesso facilitado a crédito e políticas de mitigação da seca. Erivam do Carmo, presidente da Fetarn, apontou que o decreto permitiria agilizar ações de suporte hídrico e forrageiro para agricultores familiares.
O reconhecimento federal de emergência permite que municípios solicitem recursos do Governo Federal para ações de defesa civil, como distribuição de água, cestas básicas, kits de higiene e ração animal. Essa medida já foi adotada em 74 municípios do estado, incluindo Lucrécia, de acordo com portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Audiências públicas e reuniões com órgãos estaduais continuam sendo realizadas para discutir soluções e estratégias de enfrentamento à seca, reforçando a necessidade de medidas preventivas antes que o colapso hídrico se torne crítico.
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