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Terça-feira, 05 de Maio 2026

Economia

Copom age com prudência devido a tensões globais e projeções inflacionárias

O Banco Central ressalta que o esforço para conter a inflação torna-se substancialmente mais elevado quando as projeções do mercado perdem o referencial.

Redação
Por Redação
Copom age com prudência devido a tensões globais e projeções inflacionárias
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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Diante das incertezas geradas pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e da perspectiva de uma inflação elevada por um período mais extenso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) optou por uma abordagem mais cautelosa na diminuição da taxa Selic, que representa os juros fundamentais da economia.

Esses dados constam na ata da reunião do Copom realizada na semana anterior, tornada pública nesta terça-feira (5). Durante o encontro, o comitê decidiu por uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, que agora se situa em 14,5% anuais.

O Copom absteve-se de fornecer indicações sobre a trajetória futura dos juros, limitando-se a declarar que está acompanhando de perto o conflito e suas potenciais consequências inflacionárias caso se estenda.

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“A persistência de incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos também contribuiu para a formação desse panorama”, detalhou o Banco Central.

A ata do encontro enfatiza que “O Comitê reitera sua postura de serenidade e prudência na gestão da política monetária, visando a que as próximas etapas do ajuste da taxa básica de juros possam assimilar informações adicionais que esclareçam a magnitude e a duração dos conflitos no Oriente Médio, bem como seus impactos diretos e indiretos sobre o patamar de preços ao longo do tempo”.

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O colegiado manifesta preocupação com a possibilidade de efeitos prolongados nas cadeias de produção e distribuição, além de impactos indiretos caso haja limitações na oferta de petróleo e seus produtos derivados.

O embate entre os Estados Unidos e o Irã tem afetado a navegação no Estreito de Ormuz, uma via marítima essencial por onde passam até 20% do petróleo mundial e uma parcela significativa da produção de fertilizantes.

“Um panorama como esse exige prudência por parte das economias emergentes, inseridas em um contexto de crescente volatilidade nos preços de ativos e commodities”, afirmou o Banco Central.

Expectativas

Previamente à intensificação do conflito, a previsão majoritária apontava para uma redução mais acentuada da Selic com o passar do tempo. Contudo, o Copom agora adverte sobre um “descolamento adicional das expectativas de inflação para períodos mais distantes, notadamente para o ano de 2028”.

Conforme o mais recente Boletim Focus, a projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como balizador oficial da inflação brasileira, é de 4,89% para o ano corrente. Para 2027, a estimativa inflacionária permanece em 4%, enquanto para 2028, a previsão subiu nas últimas duas semanas, atingindo 3,64%.

A autoridade monetária sublinhou que o esforço necessário para reconduzir a inflação ao patamar desejado é consideravelmente ampliado quando as expectativas do mercado se desvinculam, o que fundamenta a manutenção de uma política monetária restritiva em relação à Selic.

O modelo de referência do próprio Banco Central passou a indicar uma elevação de 4,6% para o IPCA no ano de 2026.

A taxa básica de juros funciona como um parâmetro para as demais taxas praticadas na economia e representa o principal recurso do Banco Central para assegurar o controle inflacionário.

Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação é fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, os limites são de 1,5% como piso e 4,5% como teto.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% anuais, o patamar mais elevado em quase duas décadas. Em sua reunião de março, o Copom retomou o ciclo de redução dos juros, em um contexto de desaceleração inflacionária. Contudo, o conflito no Oriente Médio, que resultou na elevação dos preços de combustíveis e alimentos, impõe desafios adicionais ao Copom.

Mesmo assim, o comitê avaliou que os acontecimentos recentes não seriam um impedimento para a continuidade do ciclo de cortes.

A ata conclui: “O Comitê considerou oportuno dar prosseguimento ao processo de calibração da política monetária, visto que a prolongada manutenção da taxa básica de juros em um nível restritivo forneceu indícios da efetividade da política monetária na desaceleração da atividade econômica. Isso gerou as condições para que eventuais ajustes no ritmo e na amplitude dessa calibração, baseados em novas informações, possam ser realizados para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida”.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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