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Domingo, 03 de Maio 2026

Saúde

Violência sexual eleva significativamente o risco cardiovascular em mulheres

Um estudo da UFC indica que o trauma da violência sexual provoca impactos biológicos e comportamentais que amplificam o risco de infarto em mulheres.

Redação
Por Redação
Violência sexual eleva significativamente o risco cardiovascular em mulheres
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Vítimas de violência sexual, tanto meninas quanto mulheres, enfrentam muito mais do que os prejuízos físicos e psicológicos imediatos. Um estudo fundamentado em dados oficiais brasileiros revela que esses episódios traumáticos podem elevar em 74% a probabilidade de desenvolvimento de condições cardíacas.

Divulgado na revista Cadernos de Saúde Pública, o levantamento detalha ainda uma análise por patologias específicas. Constatou-se que mulheres que vivenciaram violência sexual exibiram índices mais elevados de infarto do miocárdio e arritmias, em contraste com aquelas que não foram expostas a tal violência. Contudo, para angina e insuficiência cardíaca, as diferenças não foram estatisticamente relevantes.

Eduardo Paixão, pesquisador do programa de pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará, esclarece que as descobertas foram alcançadas por meio da aplicação de métodos estatísticos aos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

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Considerada o mais importante levantamento oficial sobre a saúde da população no Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) foi realizada com base em mais de 70 mil entrevistas, representando fielmente os brasileiros. Entre os múltiplos temas abordados, a pesquisa investigou tanto a incidência de violência sexual quanto a de doenças cardíacas, permitindo assim o cruzamento dessas duas importantes variáveis.

Reconhecendo que múltiplos fatores podem impactar a manifestação de doenças cardiovasculares, a equipe de pesquisadores empregou recursos estatísticos para neutralizar a influência de variáveis como idade, cor da pele, orientação sexual, nível de escolaridade e região de moradia. Essa metodologia assegurou que o aumento constatado estivesse diretamente ligado à violência vivenciada.

As consequências da violência

Eduardo Paixão observa que, frequentemente, a análise dos efeitos da violência sexual se restringe à saúde mental, porém o trauma pode gerar repercussões em diversas outras esferas da saúde.

“Costumamos buscar explicações biológicas para as enfermidades, mas a saúde humana é profundamente influenciada por interações sociais que afetam nosso bem-estar. Pesquisas internacionais já indicavam uma forte correlação, particularmente quando a violência ocorre na infância e adolescência, com efeitos que podem perdurar por toda a vida”, detalha Paixão.

A equipe de pesquisa levanta a hipótese de que a violência eleva o risco cardiovascular devido a uma conjunção de fatores biológicos e comportamentais. Isso inclui quadros de ansiedade e depressão, frequentemente observados em vítimas e sabidamente associados a problemas cardíacos. Além disso, o estresse crônico provoca efeitos fisiológicos diretos.

“O estresse contribui para o aumento da inflamação no organismo, ativando substâncias que podem acelerar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Experiências traumáticas são capazes, ainda, de modificar a pressão arterial e a frequência cardíaca”, detalha o pesquisador.

Paixão acrescenta que indivíduos que experimentam violência, seja de maneira isolada ou contínua, podem apresentar uma propensão maior a adotar comportamentos prejudiciais à saúde, tais como tabagismo, alcoolismo, uso de substâncias entorpecentes, dieta desequilibrada e sedentarismo, todos fatores que, por sua vez, elevam os riscos cardiovasculares.

O pesquisador enfatiza que a violência sexual constitui, por si só, um grave problema de saúde pública no Brasil. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), por exemplo, registrou que 8,61% das mulheres declararam ter sofrido alguma forma de violência sexual ao longo da vida, em comparação com 2,1% dos homens.

No entanto, esse tipo de violência permanece amplamente subnotificado, particularmente entre os homens, pois nem todos reconhecem a experiência traumática ou se sentem à vontade para relatá-la, ressalta Paixão. Essa subnotificação é, na visão do pesquisador, a principal justificativa para o estudo não ter identificado um aumento similar na incidência de doenças cardiovasculares em homens vítimas.

Para Paixão, o valor primordial da pesquisa reside em destacar um fator que exige a atenção tanto dos profissionais que atuam com vítimas de violência quanto daqueles que prestam assistência a indivíduos com doenças cardiovasculares.

“Essas enfermidades representam a maior carga global de doenças, gerando inúmeras internações e custos significativos com procedimentos. É possível que, ao intervirmos em fatores de vida modificáveis, consigamos reduzir essa incidência”, finaliza o pesquisador.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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