O Rio Grande do Norte deverá retomar, na próxima semana, as tratativas para conseguir a liberação da exportação do camarão potiguar para a China. A informação foi confirmada pelo secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, Guilherme Saldanha, que informou que irá a Brasília para dar continuidade às negociações junto aos órgãos federais responsáveis.
A autorização para exportação do produto ao mercado chinês era aguardada desde julho do ano passado, mas acabou sendo adiada por conta de um erro técnico no processo de cadastramento do camarão brasileiro. A falha ocorreu na classificação da espécie, o que impediu a inclusão correta do produto na pauta de exportações destinadas ao país asiático.
Segundo o secretário, a expectativa era de que o problema fosse solucionado até o final de 2025, o que não se concretizou. Ele destacou que a liberação depende diretamente do Ministério da Pesca e do Ministério da Agricultura, responsáveis pelas negociações internacionais e pelos trâmites sanitários necessários.
Apesar de ter perdido a liderança nacional na produção de camarão para o Ceará, o Rio Grande do Norte segue como um dos principais produtores do país. De acordo com projeções da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC), a produção potiguar deve alcançar cerca de 45 mil toneladas em 2025, mantendo o setor como um importante gerador de emprego e renda.
O setor de carcinicultura emprega atualmente cerca de 35 mil pessoas, direta e indiretamente, no estado. Para representantes da ANCC, a abertura do mercado chinês é estratégica para o crescimento da atividade, considerando que a China é o maior importador de camarão do mundo e um mercado essencial para a inserção internacional do produto brasileiro.
Entidades do setor também apontam desafios estruturais e políticos que precisam ser superados, como a dependência de portos de outros estados para escoamento da produção e a necessidade de maior agilidade nas negociações federais. Ainda assim, a expectativa é de que, com a liberação do mercado chinês, o Rio Grande do Norte possa ampliar a produção, fortalecer a indústria local e gerar novos postos de trabalho no médio e longo prazo.

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