O Rio Grande do Norte ocupa a 23ª posição entre os 26 estados e o Distrito Federal no ranking de salários médios de admissão, com média de R$ 1.760 em 2024, segundo o estudo “Raio-X do Salário de Admissão” da FIRJAN. O aumento em relação a 2023 foi de apenas 0,8%, posicionando o estado à frente apenas de Alagoas, Amapá, Roraima e Acre, cenário que evidencia disparidades regionais e limitações no poder de consumo local.
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram os maiores salários médios, reflexo da presença de indústrias, tecnologia e serviços financeiros. São Paulo lidera o ranking com R$ 2.473, seguido pelo Distrito Federal e Rio de Janeiro. No Nordeste, estados como Ceará e Alagoas mostram diferenças significativas, com impacto direto na circulação de renda e desenvolvimento econômico regional.
Segundo Helder Cavalcanti, economista e conselheiro do Corecon-RN, salários iniciais mais baixos reduzem o efeito multiplicador do consumo. “Com salários menores, o impacto econômico é limitado, pois restringe a circulação da moeda e diminui oportunidades de novos mercados e geração de renda”, explica. A informalidade também tem absorvido parte da mão de obra, destacando motoristas de aplicativos e prestadores de serviços autônomos.
O setor industrial potiguar, no entanto, apresenta média superior à nacional, alcançando R$ 2.629,89, impulsionada por atividades petrolíferas, energia eólica e fabricação de máquinas e equipamentos elétricos. A FIERN destaca que desafios logísticos, tamanho do mercado e perfil predominante de micro e pequenas empresas dificultam aumentos salariais significativos, reforçando a necessidade de políticas públicas integradas.
A qualificação profissional surge como vetor de mudança. O Senac-RN aponta que investimentos em cursos técnicos e desenvolvimento de competências comportamentais ampliam a empregabilidade e potencial de remuneração. Somente em 2024, mais de 33 mil vagas foram ofertadas em cursos de qualificação, com resultados expressivos na inserção no mercado de trabalho.
O estudo evidencia ainda que setores de maior valor agregado, como tecnologia, engenharias e serviços financeiros, oferecem salários iniciais significativamente superiores, chegando a ultrapassar R$ 13 mil em alguns segmentos. A combinação de educação, inovação e políticas de incentivo é apontada como caminho para elevar os salários médios do estado e fortalecer sua economia.

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