O Rio Grande do Norte avançou na política de educação digital ao instituir as Diretrizes Curriculares do Ensino de Computação na Educação Básica. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer do RN (SEEC) em parceria com a União dos Dirigentes Municipais de Educação do Rio Grande do Norte (Undime-RN), alinha o ensino de computação às orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à legislação federal que tornou a educação digital obrigatória nas escolas.
A proposta vai além da simples utilização de computadores em sala de aula. O novo currículo trata a computação como área de conhecimento essencial para a formação integral dos estudantes, estimulando o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e éticas relacionadas ao uso da tecnologia.
De acordo com a secretária estadual de Educação, Socorro Batista, o ensino de computação passa a contribuir para que os alunos compreendam e utilizem as tecnologias de forma crítica e consciente. Segundo ela, essas competências deixaram de ser diferenciais e se tornaram fundamentais para o exercício da cidadania em uma sociedade cada vez mais digitalizada.
O novo currículo será estruturado em três eixos principais: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. Esses pilares abrangem desde a resolução de problemas e criação de algoritmos até temas como segurança na internet, combate à desinformação e uso responsável das redes sociais.
A implementação das diretrizes respeitará a autonomia das redes de ensino. Na rede estadual, a computação será trabalhada de forma transversal, integrada aos componentes curriculares e a projetos interdisciplinares. Já os municípios poderão optar por adotar esse mesmo modelo ou criar um componente curricular específico, desde que a proposta seja aprovada pelo Conselho Estadual de Educação.
A política de educação digital também é fortalecida pelo programa Geração Conectada, que reúne investimentos realizados entre 2019 e 2025. Nesse período, o Governo do Estado investiu cerca de R$ 193 milhões em infraestrutura tecnológica, incluindo a distribuição de mais de 25 mil Chromebooks e a universalização da internet banda larga nas escolas da rede estadual.
Além disso, o estado tem implantado Núcleos de Inovação e laboratórios makers em diferentes regiões, com unidades em Natal, Pau dos Ferros e Caicó, além de uma nova estrutura prevista para Mossoró. Esses espaços são voltados à experimentação tecnológica, com equipamentos como impressoras 3D, kits de robótica e ferramentas de prototipagem.
Com a implementação das diretrizes, o Rio Grande do Norte busca consolidar a tecnologia como elemento estruturante da educação pública, ampliando a inclusão digital e preparando os estudantes para áreas emergentes como ciência de dados, inteligência artificial e robótica.

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