O Projeto de Lei 850/25, de autoria da deputada Dayany Bittencourt (União-CE), estabelece diretrizes para o cuidado de mulheres diagnosticadas com adenomiose no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a iniciativa propõe que a forma incapacitante da doença seja reconhecida como condição grave para a concessão de aposentadoria por incapacidade permanente e auxílio-doença.
Atualmente, o texto encontra-se em fase de análise na Câmara dos Deputados.
Conforme o teor do projeto, servidoras públicas civis federais que sofrem de adenomiose incapacitante terão direito à aposentadoria com proventos integrais. Para as beneficiárias do Regime Geral de Previdência Social, a proposta visa suprimir a necessidade de período de carência para a concessão de benefícios por incapacidade, sejam eles temporários ou permanentes.
Saúde e atendimento
O objetivo central da proposta é assegurar que as pacientes recebam uma assistência completa e multidisciplinar no SUS, englobando o apoio de especialistas como nutricionistas e psicólogos. As diretrizes também contemplam o acesso facilitado a exames, medicamentos, sessões de fisioterapia e a prática de atividades físicas.
Adicionalmente, o projeto prevê a realização de campanhas anuais focadas no diagnóstico precoce e na prevenção da doença, o incentivo à elaboração de um protocolo clínico e diretrizes terapêuticas específicas, e a criação de centros de referência para o tratamento da adenomiose dentro do SUS.
A doença
A adenomiose consiste em uma condição benigna caracterizada pelo crescimento do tecido que normalmente reveste o útero (endométrio) na camada muscular do órgão (miométrio). Os sintomas mais comuns incluem dores abdominais severas, sangramento menstrual abundante e prolongado, desconforto durante as relações sexuais, anemia, cansaço excessivo e problemas de sono.
Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mencionados pela deputada, a adenomiose pode afetar uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva. Até o momento, a ciência não aponta para uma cura definitiva para a condição, exceto pela histerectomia, que é a remoção completa do útero.
“Em relação à incapacidade permanente para o trabalho, a adenomiose provoca dores abdominais agudas e persistentes, levando muitas mulheres à dependência de analgésicos potentes para o alívio da dor e ao uso contínuo de anti-inflamatórios”, destacou Dayany Bittencourt.
Próximos passos
O projeto segue em tramitação com caráter conclusivo, passando pela avaliação de diversas comissões, incluindo as de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Saúde; de Defesa dos Direitos da Mulher; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para que a proposta seja convertida em lei, é indispensável a aprovação tanto pelos deputados quanto pelos senadores.
Entenda melhor o processo de tramitação de projetos de lei

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