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Quinta-feira, 23 de Abril 2026

Estado

Prefeitura de Natal adia licitação do transporte público para 'recalcular tarifa' após aumento do preço do diesel

Lançamento de edital era previsto para o final de março e não teve novo prazo estabelecido pela secretaria de mobilidade urbana.

Pedro Costa
Por Pedro Costa
Prefeitura de Natal adia licitação do transporte público para 'recalcular tarifa' após aumento do preço do diesel
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Após o aumento de quase 25% no preço do óleo diesel, a Prefeitura de Natal adiou mais uma vez o prazo previsto para o lançamento do edital da licitação do transporte público. Segundo a secretária de mobilidade urbana da capital, Daliana Bandeira, é preciso refazer os cálculos dos custos operacionais.

No início da semana, as empresas que operam na capital ameaçaram reduzir a frota de ônibus em circulação na cidade caso não haja ajuda de custeio ou reajuste da tarifa, o que pegou passageiros de surpresa.

O que poderia definir regras para mudanças como essas seria a licitação do transporte público, que nunca foi realizada na capital potiguar. Em 2021, a previsão era de que ela ocorresse até o final do ano. No início de 2022, a primeira previsão era o fim de março. Mas, segundo a secretária, com a necessidade de reavaliação, o projeto ficou sem novo prazo para lançamento do edital.

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"Estávamos pra finalizar o edital, mas infelizmente com esse último aumento de 25% no diesel, a gente teve que dar um passo atrás para recalcular a tarifa, porque isso tem um impacto significativo no transporte", afirmou Daliana.

Segundo a secretária, um reajuste do valor das passagens será inevitável, mas isso só deverá ocorrer após a licitação, com fechamento de contratos com empresas que ganharem a seleção.

"É um contrato. A gente vai ter ali um instrumento legal com direitos e obrigações tanto da secretaria como os empresários e deles com a secretaria. Então ali vai ter o instrumento legal com obrigações, deveres, enfim, que a gente possa trabalhar ali de uma forma que não seja só unilateral, como aconteceu a devolução das linhas. Com o contrato, isso não se repetiria", disse.

Sobre a possibilidade levantada pelas empresas de ônibus da redução de 10 linhas para conseguir diminuir os custos, a secretária afirma que, legalmente, não há como a prefeitura proibir a medida, já que atualmente, sem licitação, não existe um contrato definindo regras sobre isso. Para ela, o caminho possível é uma negociação.

Ela ainda afirmou que o departamento de estudos e projetos já está estudando o assunto, mas o tema sempre recai sobre uma decisão judicial que determina que o município mantenha 100% da frota em circulação.

"A gente sempre conversa com eles [empresários] pra não ir pelo caminho da devolução de linhas. E o ideal seria que a gente conseguisse reestruturar, reorganizar essas viagens, nossos quadros de horários, mas tudo em conformidade com o judiciário em relação a decisão dos 100%. Então a gente sempre faz esse apelo às empresas que não vão pelo caminho da devolução das linhas, a população já está bastante prejudicada, e a secretaria não concorda com esse tipo de atitude e a gente vai tentar junto com os nossos departamentos estudar uma forma de recuperar um pouco os serviços pro usuário", pontuou.

"Quando a gente diz reduzir o serviço não quer dizer que o usuário vai ficar sem serviço, mas de repente verificar alguns horários do dia onde ele tenha uma demanda maior de viagens, ela poderia ser remanejada pra onde realmente precisa, que é o pico. Mas tudo isso vai acabar tendo uma redução de frota e uma redução vai contra a decisão de 100% da frota. Então a gente fica numa situação complicada, porque a gente não tem reajuste tarifário, não vai ter, e não tem subsídio no momento. A forma que a gente teria de mininimizar os custos, de reduzir esses custos, seria mexendo na operação, o que volta na questão dos 100%, porque eu vou estar em desobediência a uma decisão judicial", declarou.

Daliana também pontuou que a prefeitura não tem recursos para conceder ajuda de custo às empresas e considerou que uma saída para que não haja novas mudança nas linhas seria a aprovação de um projeto de lei no Congresso que garante subsídios do governo federal para o pagamento da gratuidade dos idosos no transporte público. O projeto tramita na Câmara Federal.

De acordo com ela, atualmente os idosos correspondem a cerca de 60% dos passageiros em Natal. "Com certeza, se viesse essa ajuda do governo federal, a gente já conseguia dar uma respirada no sistema e reorganizar de forma que o usuário não ficasse mais no prejuízo que ele já tem", declarou.

FONTE/CRÉDITOS: https://g1.globo.com/rn
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