O Partido Liberal (PL) pode assumir papel decisivo em uma eventual eleição indireta para o Governo do Rio Grande do Norte, caso se confirme a renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT) em abril para disputar uma vaga no Senado e o vice-governador Walter Alves (MDB) opte por não assumir o comando do Executivo estadual. Nesse cenário, a definição do novo governador ocorreria na Assembleia Legislativa, ampliando a importância das articulações partidárias.
Com a filiação do deputado estadual Luiz Eduardo, prevista para o dia 22 de janeiro, o PL passará a contar com sete parlamentares, tornando-se o maior partido da Casa. A bancada ainda pode crescer para oito deputados, caso Adjuto Dias deixe o MDB. Dessa forma, o partido passaria a concentrar cerca de um terço dos votos do colégio eleitoral formado por 24 deputados estaduais, consolidando-se como força central nas negociações políticas.
Apesar do protagonismo, o deputado Tomba Farias (PL) pondera que ainda é cedo para tratar de uma eleição indireta. Segundo ele, a bancada aguarda a vinda ao Estado do senador Rogério Marinho, presidente nacional do PL, que deve se reunir com os parlamentares para definir as diretrizes políticas do partido. Tomba também destaca que, no retorno do recesso legislativo, a prioridade será a derrubada do veto governamental à lei que trata dos repasses de ICMS e IPVA aos municípios.
Outro integrante do PL, o deputado José Dias avalia que, caso ocorra uma eleição indireta, quem assumir o governo enfrentará grandes dificuldades administrativas. Para ele, os problemas financeiros do Estado são estruturais e não seriam resolvidos em um mandato tampão de cerca de nove meses, ainda mais em um ano eleitoral, quando decisões impopulares tendem a ser evitadas.
O cenário político na Assembleia Legislativa está atualmente dividido em três blocos principais: a base da governadora Fátima Bezerra, considerada fragilizada; o grupo ligado ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que avança como pré-candidato ao governo; e a bancada alinhada ao PL, onde também surge o nome do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, como possível liderança política.
Mesmo diante das especulações, a direção estadual do PT defende que o grupo governista continuará com protagonismo na sucessão estadual. A presidente do partido no RN, vereadora Samanda Alves, afirmou que o PT não permitirá que o Estado fique à deriva e reforçou que considera ilegítima a hipótese de o vice-governador não assumir o cargo. Enquanto isso, o avanço do PL amplia as incertezas e torna o partido um dos principais atores na definição do futuro político do Rio Grande do Norte.

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