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Sexta-feira, 01 de Maio 2026

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ONU Mulheres destaca escalada da violência digital contra jornalistas

Relatório "Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA" revela que quase um terço das jornalistas já foi alvo de assédio sexual digital.

Redação
Por Redação
ONU Mulheres destaca escalada da violência digital contra jornalistas
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Um estudo divulgado pela ONU Mulheres, em colaboração com TheNerve e outras entidades parceiras, aponta que 12% das mulheres atuantes como defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, profissionais da mídia e outras comunicadoras públicas enfrentaram o compartilhamento não autorizado de suas imagens pessoais, englobando material íntimo ou de natureza sexual.

O mesmo documento, intitulado "Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA", detalha que 6% das participantes foram alvo de deepfakes. Adicionalmente, quase um terço delas relatou ter recebido abordagens sexuais indesejadas por mensagens digitais.

O estudo também revela que 41% das entrevistadas praticam a autocensura em suas redes sociais para se protegerem de abusos, e 19% aplicam essa restrição em seu ambiente profissional devido à violência digital. Especificamente entre jornalistas e profissionais da mídia, 45% afirmaram se autocensurar nas plataformas online em 2025, representando um aumento de 50% em comparação com 2020, e aproximadamente 22% adotaram a autocensura em suas atividades laborais.

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Os organizadores do levantamento ressaltam que “essa modalidade de agressão é frequentemente intencional e orquestrada, visando calar as mulheres na esfera pública, ao mesmo tempo em que compromete sua reputação pessoal e profissional. Observa-se ainda um crescimento nas ações judiciais e nas denúncias às autoridades por parte de jornalistas e profissionais da mídia.”

Os dados indicam que, em 2025, 22% das jornalistas e profissionais da mídia estavam propensas a reportar episódios de violência online à polícia. Esse índice representa o dobro do registrado em 2020, que era de 11%.

Atualmente, cerca de 14% delas estão buscando vias legais contra os agressores, seus cúmplices ou empregadores, um aumento significativo em relação aos 8% de 2020. Isso demonstra uma maior conscientização e uma demanda crescente por responsabilização.

Adicionalmente, o relatório aponta que a violência digital tem um impacto profundo na saúde e no bem-estar das mulheres. Cerca de 24,7% das jornalistas e profissionais da mídia consultadas receberam diagnósticos de ansiedade ou depressão diretamente ligadas às agressões online sofridas, e quase 13% foram diagnosticadas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, enfatizou que a inteligência artificial (IA) tem facilitado e amplificado a gravidade dos abusos.

“Essa situação contribui para a deterioração de direitos arduamente estabelecidos, em um cenário caracterizado por retrocessos democráticos e misoginia disseminada online. É nossa obrigação assegurar que os sistemas, as legislações e as plataformas reajam com a celeridade que esta crise impõe”, declarou Mingerou.

A ONU Mulheres também aborda a persistente lacuna na proteção legal contra a violência digital. Conforme dados do Banco Mundial divulgados no ano anterior, menos de 40% dos países possuem legislação eficaz para resguardar as mulheres contra o assédio ou a perseguição virtual.

Globalmente, 1,8 bilhão de mulheres e meninas – o equivalente a 44% da população feminina – ainda carecem de acesso a mecanismos de proteção legal adequados.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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