O Rio Grande do Norte produz cerca de 1,3 milhão de toneladas de resíduos sólidos recuperáveis por ano, mas apenas 1,72% desse total é efetivamente reciclado, o que corresponde a aproximadamente 22 mil toneladas. Em Mossoró e Natal, as duas maiores cidades do estado, a recuperação fica abaixo de 1%, evidenciando um grande desafio para a gestão de resíduos nesses municípios.
Enquanto alguns municípios como Currais Novos e Jardim de Piranhas apresentam taxas de reciclagem superiores a 15%, a baixa recuperação nas maiores cidades reflete a necessidade de ampliar a conscientização e a infraestrutura para coleta e triagem de resíduos. O estado conta com 42 indústrias de reciclagem e três usinas para reutilização de entulhos, além de exportar alguns resíduos, mas a integração das cadeias produtivas ainda demanda esforços e investimentos.
Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do RN (FIERN) revelou que 67% das indústrias potiguares que adotam práticas de economia circular reconhecem sua contribuição para a redução dos gases de efeito estufa. Contudo, barreiras como a falta de qualificação técnica e regulamentações tributárias dificultam a expansão dessas práticas no estado.
O Brasil, sexto maior emissor mundial de gases de efeito estufa, tem como principal fonte o desmatamento, respondendo por metade das emissões nacionais. O país estabeleceu a meta de neutralidade climática para 2050 e, na COP 29, comprometeu-se a reduzir suas emissões líquidas entre 59% e 67% até 2035. A economia circular e a reciclagem dos resíduos sólidos urbanos são estratégias centrais para alcançar esses objetivos.
O Plano Nacional de Economia Circular (Planec), aprovado em maio de 2025, traça metas ambiciosas para os próximos anos, como aumentar a reciclagem urbana para 50% até 2030 e reduzir em 30% a geração de resíduos industriais perigosos. Para isso, o plano incentiva a adoção de práticas sustentáveis e inovação nas indústrias, com o intuito de construir uma economia mais eficiente, sustentável e alinhada às demandas climáticas globais.
