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Sexta-feira, 01 de Maio 2026

Economia

Sindicatos se manifestam pelo direito ao descanso e contra a escala 6x1

Em Brasília, protesto ocorreu no Eixão do Lazer com reivindicações trabalhistas.

Redação
Por Redação
Sindicatos se manifestam pelo direito ao descanso e contra a escala 6x1
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas ocuparam as ruas de diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, data que celebra o Dia Internacional do Trabalhador.

Entre as principais reivindicações, destacou-se o pedido pelo fim da escala de trabalho de seis dias seguidos com apenas um de descanso (escala 6x1), sem que isso implique em redução salarial. Em Brasília, a concentração ocorreu no Eixão do Lazer, na Asa Sul.

A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, participou do ato acompanhada de seu neto de 5 anos, sua nora e sua mãe, de 80 anos, para exigir melhores direitos trabalhistas.

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Cleide, que hoje tem carteira assinada, relembra sua experiência como feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, períodos em que não possuía registro em carteira. Ela ressalta as irregularidades frequentemente cometidas contra suas colegas de profissão.

“Tenho conhecimento de pessoas que estão trabalhando agora porque o empregador alega que hoje não é feriado, mas sim ponto facultativo. Essas pessoas não receberão hora extra por desconhecerem seus direitos.”

O evento, denominado Ato Unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora, foi organizado por sete centrais sindicais do Distrito Federal e contou com atrações culturais e discursos.

O movimento defende que a redução da jornada de trabalho, ao contrário do que alegam as empresas, não prejudica a economia e pode, na verdade, aumentar a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito fundamental dos trabalhadores.

Lutas por direitos

A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas compareceu à manifestação em busca de melhores condições para a população e, em particular, pela diminuição da escala de trabalho. A vendedora acredita que a luta por esses direitos deve ser contínua.

“Nós sempre buscamos o que há de melhor para a população trabalhadora.”

As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha, aprovadas no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022, encontram-se desempregadas.

Enquanto aguardam ser convocadas para as vagas, elas se manifestam pela valorização das carreiras de profissionais da educação e por mais oportunidades. “As crianças necessitam de professores mais reconhecidos em suas escolas”, defendeu Elen Rocha.

Tempo para viver

Cartazes exibindo mensagens pelo fim da escala de trabalho 6x1 foram um ponto de convergência para três mulheres que se uniram durante o protesto em defesa de mais tempo livre, essencial para o autocuidado, lazer e a convivência familiar.

A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com o desenvolvimento de crianças com necessidades neurodivergentes e dispõe de duas folgas semanais.

Ela relata que, durante um ano, trabalhou em grandes centros logísticos, enfrentando jornadas exaustivas que se estendiam pela madrugada e incluíam turnos dobrados. Como resultado, percebeu impactos negativos em sua formação acadêmica e em sua saúde.

Ao migrar para uma escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5x2), Ana Beatriz observou melhorias significativas na qualidade de seu sono e alimentação, além de um aumento em sua disposição diária.

“Sou totalmente contra a escala 6x1; ela precisa acabar o quanto antes. Percebo que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais é totalmente viável. Com um planejamento adequado das escalas, trabalharemos mais descansados, com maior qualidade e produziremos mais.”

A aposentada Ana Campania descreveu a escala 6x1 como “escala da escravidão” e participou do ato para exigir o fim da precarização da mão de obra.

“Hoje é o nosso dia de luta por condições melhores. Especialmente neste momento em que tentam anular conquistas de décadas, como a estabilidade dos servidores e as garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”

Jornada dupla feminina

Geraldo Estevão Coan, sindicalista com extensa atuação na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, esteve presente no ato desta sexta-feira e aproveitou para manifestar-se contra a jornada dupla e até tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Ele defende que os homens compartilhem as responsabilidades domésticas e com os filhos.

“O fim da escala 6x1 deve beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também precisamos ter a consciência de que o cuidado com o lar não é responsabilidade exclusiva da mulher.”

Confronto durante o ato

O evento em Brasília foi marcado por um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. O incidente ocorreu após os apoiadores introduzirem um boneco em tamanho real do ex-presidente, vestido com uma capa da bandeira do Brasil.

A ação, realizada durante o ato público, foi interpretada como provocação pelos manifestantes presentes no Eixão Sul. Houve troca de insultos e agressões físicas, mas o princípio de tumulto foi rapidamente controlado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

“Pessoas com visões ideológicas distintas iniciaram provocações e embates verbais. As equipes policiais intervieram prontamente, restabelecendo a ordem pública sem o registro de ocorrências graves”, informou a PMDF em nota.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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