O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, realizou uma visita técnica à empresa Produmar, tradicional exportadora de pescados no estado, para avaliar os impactos da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor em agosto, pode afetar significativamente a indústria de pesca oceânica local e sua capacidade de exportação.
Durante a visita, Serquiz destacou a importância de conhecer de perto os efeitos da taxação e afirmou que a FIERN, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e os setores envolvidos, tem buscado dialogar com o Governo Federal para buscar alternativas que minimizem os prejuízos. O objetivo é apresentar dados concretos e trabalhar em estratégias para proteger o setor pesqueiro do Rio Grande do Norte.
O setor pesqueiro potiguar é um dos mais afetados pela tarifa americana, já que exporta anualmente cerca de US$ 50 milhões em pescados para os EUA, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Pesca (SINDIPESCA-RN), Arimar França Filho. Caso a taxa não seja revertida, há risco de paralisação das embarcações previstas para agosto, prejudicando a cadeia produtiva e econômica da região.
Dados do Observatório da Indústria MAIS RN indicam que, no primeiro semestre de 2025, o Rio Grande do Norte exportou mais de US$ 11,5 milhões em peixes frescos ou refrigerados para o mercado norte-americano, ficando entre as principais commodities exportadas pelo estado. A Produmar, fundada em 1970 em Natal, é destaque na história do setor, pioneira na exportação de lagosta e camarão e atualmente com um porto pesqueiro próprio para atender à demanda regional.
A imposição da tarifa foi anunciada em 9 de julho pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou as taxas sobre produtos brasileiros de 10% para 50%. A decisão, comunicada formalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá entrar em vigor no dia 1º de agosto. Lula criticou a medida e sinalizou que responderá à ação americana com base na Lei de Reciprocidade Econômica, em defesa dos interesses brasileiros.