Um estudo realizado no Rio Grande do Norte analisou dados de violência contra meninas e mulheres entre 2019 e 2021, revelando a existência de mais de 43 mil vítimas registradas nos sistemas oficiais de saúde e segurança pública. A pesquisa, publicada na Revista Pan-Americana de Saúde Pública, evidencia uma falha grave na integração entre esses sistemas, dificultando a proteção efetiva das vítimas e a prevenção de novos casos.
A maioria dos registros de violência foi feita apenas pela segurança pública, principalmente em boletins de ocorrência, enquanto os atendimentos em saúde destacaram a violência física e sexual, com maior incidência entre meninas de 0 a 9 anos. A violência psicológica, por sua vez, foi mais presente nos dados policiais. Além disso, o estudo identificou 149 mortes por causas externas, como agressões e suicídios, com maior impacto sobre mulheres negras adultas.
Um dado alarmante apontado pela pesquisa é que somente 0,4% das vítimas atendidas na saúde possuem boletins de ocorrência registrados, demonstrando a fragilidade na articulação entre os setores. Isso significa que muitas vítimas, especialmente crianças, não têm seu caso levado às autoridades policiais, o que pode levar à revitimização e à falta de proteção adequada.
Diante desse cenário, a integração dos sistemas de saúde e segurança pública surge como medida fundamental para melhorar a resposta ao problema. A cooperação intersetorial tem o potencial de garantir um atendimento mais humanizado, eficiente e com base em evidências concretas, fortalecendo redes de proteção e facilitando a formulação de políticas públicas direcionadas ao enfrentamento da violência contra meninas e mulheres.
O estudo reforça a importância de ampliar a visibilidade social do tema, por meio da conscientização e do aprimoramento dos mecanismos de inteligência para a identificação precoce dos casos. Somente com ações coordenadas e integradas será possível construir um ambiente mais seguro e justo para todas as mulheres e meninas do Rio Grande do Norte.