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Segunda-feira, 04 de Maio 2026

Saúde

Confirmação de sarampo em bebê ressalta a importância da imunização

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca que altas taxas de vacinação formam uma proteção para os recém-nascidos.

Redação
Por Redação
Confirmação de sarampo em bebê ressalta a importância da imunização
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Um recente caso de sarampo detectado em uma criança de apenas seis meses em São Paulo, na última semana, reacendeu a discussão sobre a crucial necessidade de sustentar elevadas taxas de vacinação. Essa medida é essencial para criar uma salvaguarda para aqueles que, por idade ou condição, ainda não podem ser imunizados.

A criança em questão não possuía a idade mínima para a imunização, visto que o cronograma do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses, protegendo contra sarampo, caxumba e rubéola. Posteriormente, aos 15 meses, é recomendada a dose da tetra viral, que, além de reforçar a defesa contra as três doenças anteriores, inclui a prevenção da catapora.

Conforme explica Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), uma alta adesão à vacinação estabelece uma "barreira sanitária" que confere proteção aos lactentes que ainda não estão aptos a receber a imunização.

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Kfouri detalha ainda que a vacina contra o sarampo possui uma "capacidade esterilizante", o que significa que, além de prevenir a infecção no indivíduo vacinado, ela também impede que essa pessoa se torne um vetor e transmissor do vírus, com elevada eficácia.

A investigação revelou que a criança diagnosticada havia viajado para a Bolívia em janeiro, um país que enfrenta um surto de sarampo desde o ano anterior. Este cenário sublinha a importância crítica da alta cobertura vacinal para evitar que ocorrências importadas, como esta, desencadeiem novos surtos em território brasileiro.

"O sarampo se destaca pela sua extraordinária capacidade de transmissão, particularmente entre indivíduos não vacinados. A imunização em larga escala é a principal ferramenta para conter a disseminação viral", adverte o vice-presidente da Sbim. Ele acrescenta que "não é preciso viajar para contrair o vírus; a simples presença de pessoas de regiões com surto em nosso país já representa um risco considerável se a cobertura vacinal estiver baixa".

Dados do ano passado indicam que, enquanto 92,5% dos lactentes receberam a primeira dose da vacina, somente 77,9% concluíram o esquema vacinal completo dentro do prazo recomendado, evidenciando uma lacuna importante na proteção.

Defesa vitalícia

Enquanto os bebês que seguem o calendário vacinal estão protegidos por toda a vida, é fundamental que crianças e adultos sem comprovação de imunização procurem a vacina. Para indivíduos entre 5 e 29 anos, são indicadas duas doses, com um intervalo de um mês. Já para a faixa etária de 30 a 59 anos, uma única dose é suficiente. É importante salientar que a vacina é contraindicada para gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Embora o caso da bebê em São Paulo represente o primeiro registro da doença no Brasil este ano, o país confirmou 38 infecções em 2023, sendo a maioria delas de origem importada.

Apesar dos casos isolados, o Brasil mantém o certificado de área livre de sarampo, outorgado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) em 2024, graças à ausência de transmissão sustentada do vírus em seu território.

Contudo, o Brasil já havia obtido este reconhecimento em 2016, perdendo-o em 2019 após uma série de surtos que tiveram início a partir de casos importados, servindo como um alerta para a vigilância contínua.

Cenário alarmante nas Américas

O continente americano enfrenta um panorama preocupante em relação ao sarampo. No ano anterior, foram contabilizados 14.891 casos em 14 nações, resultando em 29 óbitos. Somente nos primeiros dois meses deste ano, até 5 de março, já se confirmaram 7.145 infecções, o que representa quase metade do total do ano passado. México, Estados Unidos e Guatemala são os países com a situação mais crítica.

Kfouri sublinha que, em todo o continente, a vasta maioria das ocorrências da doença foi identificada em indivíduos não vacinados, com destaque para crianças com menos de um ano de idade. Ele desmistifica a crença popular de que o sarampo é uma enfermidade benigna da infância, alertando para sua gravidade:

"Em cenários de surto, a média histórica aponta para um óbito a cada mil casos. Contudo, atualmente, observamos uma proporção significativamente mais elevada", afirma. Ele exemplifica com os dados do ano passado nas Américas, que registraram cerca de 15 mil casos e quase 30 mortes. As complicações mais frequentes incluem pneumonia e condições neurológicas severas, como encefalite.

Os sinais mais evidentes da doença são o aparecimento de erupções cutâneas avermelhadas por todo o corpo e febre elevada, acompanhados frequentemente por tosse, coriza, conjuntivite e uma sensação generalizada de mal-estar. O vice-presidente da Sbim ressalta um efeito secundário de grande preocupação: a infecção pelo sarampo pode levar à supressão do sistema imunológico.

"Por um período de três a seis meses após a contaminação pelo sarampo, o sistema imunológico fica debilitado, tornando o indivíduo mais suscetível a contrair outras infecções oportunistas, muitas das quais podem ser igualmente severas", alerta Renato Kfouri.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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