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Segunda-feira, 04 de Maio 2026

Saúde

Combate à dengue é a prioridade inicial da coalizão de saúde do G20

A iniciativa brasileira congrega nações do G20 para promover o acesso equitativo a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde.

Redação
Por Redação
Combate à dengue é a prioridade inicial da coalizão de saúde do G20
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Nesta terça-feira (24), o Ministério da Saúde informou que a luta contra a dengue será a prioridade inicial da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo.

Estabelecida pela presidência brasileira do G20 em 2024, esta coalizão visa assegurar globalmente o acesso igualitário a fármacos, imunizantes, tratamentos, diagnósticos e inovações em saúde. Uma atenção particular é dada às nações em desenvolvimento, que frequentemente encontram maiores desafios na produção e inovação.

Além do Brasil, integram o grupo África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, a União Europeia e a União Africana.

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Alexandre Padilha, ministro da Saúde, explicou que a dengue foi selecionada como foco de atuação prioritária devido à sua endemicidade em mais de uma centena de países e por ameaçar mais da metade da população global. Estima-se que anualmente ocorram entre 100 milhões e 400 milhões de contaminações.

“A proliferação da doença está intrinsecamente ligada às alterações climáticas globais, que resultam em elevação das temperaturas, maior volume de precipitações e níveis de umidade acentuados, criando um cenário propício para sua disseminação. Isso se assemelha ao que acontece com outras arboviroses, como febre amarela, zika, chikungunya e febre oropouche”, afirmou o ministro.

Padilha destacou a parceria internacional referente à vacina contra a dengue Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Um convênio com a companhia chinesa WuXi, divulgado no final do ano anterior, visa expandir a capacidade de produção do imunizante, com o objetivo de fornecer aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

“Nossa convicção e nosso empenho se direcionam para um mundo com menos conflitos, menos explosões, menos perdas de vidas de crianças, civis e profissionais da saúde. Desejamos, ao invés disso, mais vacinas e fármacos acessíveis”, concluiu.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assumirá a função de secretariado executivo da coalizão, confiando em sua vasta experiência internacional para atingir os objetivos estabelecidos.

“Desenvolvemos projetos em colaboração com outras nações, especialmente na África e América Latina, com foco na cooperação estruturante, visando o desenvolvimento de competências locais em áreas científicas, tecnológicas e, em certas situações, industriais”, declarou Mario Moreira, presidente da Fiocruz.

Transferência tecnológica

O Ministério da Saúde informou ainda que dará início à fabricação integralmente nacional do Tacrolimo, um medicamento imunossupressor essencial para diminuir a reação do sistema imunológico e prevenir a rejeição de órgãos transplantados. A tecnologia para essa produção foi totalmente transferida em colaboração com a Índia.

“Atualmente, aproximadamente 120 mil cidadãos brasileiros recebem o Tacrolimo via SUS, um fármaco cujo custo mensal varia entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Um paciente transplantado necessitará dessa medicação por toda a vida”, pontuou o ministro.

A nacionalização da produção, conforme ressaltado pelo ministro, assegura aos pacientes a continuidade do tratamento, independentemente de eventos globais. “Em situações de conflito, guerra, pandemia ou qualquer interrupção na distribuição deste produto, a fabricação em território nacional é plenamente garantida por nossa instituição pública”.

Vacina de RNA

Padilha anunciou também a criação de um novo centro de excelência focado na produção de vacinas de RNA mensageiro (mRNA), que será estabelecido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O mRNA consiste em uma molécula que veicula informações genéticas do DNA. Vacinas desenvolvidas com essa abordagem empregam somente o código genético do agente patogênico (como vírus, bactérias ou parasitas) para estimular o organismo a gerar anticorpos. Diferente das vacinas convencionais, não utilizam o patógeno atenuado ou inativado.

O ministro detalhou que o Brasil já possui duas plataformas em desenvolvimento, uma na Fiocruz e outra no Instituto Butantan, que juntas representam um investimento federal de aproximadamente R$ 150 milhões. Com a adição do novo polo na UFMG, serão alocados mais R$ 65 milhões para o avanço dessa tecnologia.

“Com isso, o Brasil contará com três entidades públicas dedicadas à fabricação de vacinas de RNA mensageiro, o que não só possibilitará a assimilação e o aprimoramento de tecnologias para combater outras enfermidades, mas também garantirá uma pronta resposta a futuras pandemias ou ao aparecimento de novos vírus”, acrescentou.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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