O Ministério da Saúde iniciou no Rio Grande do Norte a implementação de um programa internacional voltado à capacitação de famílias e cuidadores de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências. O Brasil é o primeiro país das Américas a adotar a iniciativa como política pública de governo.
Desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Unicef, o programa está presente em mais de 30 países e oferece estratégias para o cuidado cotidiano, estímulo ao desenvolvimento infantil e redução de comportamentos desafiadores, ampliando o acesso a intervenções precoces e de qualidade, inclusive antes do diagnóstico formal do TEA.
O programa, denominado Caregiver Skills Training (CST), teve o primeiro treinamento prático realizado nesta semana no Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), em Macaíba, na Grande Natal, com a participação de três formadores internacionais da OMS. A formação inicial envolve 24 profissionais que atuarão como supervisores na fase inicial de implementação em todo o país.
Segundo o coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Arthur Medeiros, os participantes possuem formação superior e experiência no desenvolvimento infantil, sendo vinculados ao ISD, à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e ao próprio ministério. A escolha do ISD ocorreu por ser referência nacional na rede de cuidados à pessoa com deficiência.
Durante o treinamento, além das aulas teóricas, foram realizadas atividades práticas com famílias e crianças. Uma das participantes foi a potiguar Robervânia Souza, mãe de um menino de dois anos com suspeita de autismo, que relatou avanços na fala do filho após poucos dias de orientação, destacando a importância do acompanhamento e da estimulação gradual.
A proposta do Ministério da Saúde é expandir o programa de forma escalonada. Após a formação dos supervisores, serão capacitados instrutores e facilitadores que atuarão diretamente com as famílias nos municípios. A expectativa é beneficiar cerca de 1,3 mil famílias ainda em 2026 e alcançar até 72 mil em todo o país a partir de 2027, com investimento estimado em R$ 13 milhões até 2030.
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