O Rio Grande do Norte está entre os estados impactados por uma reconfiguração do crime organizado no Brasil, marcada pela formação de alianças entre grandes facções nacionais e grupos regionais. Levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo aponta que organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) já atuam em parceria com grupos locais em ao menos 17 estados, incluindo o território potiguar.
Segundo a apuração, baseada em investigações da Polícia Federal, polícias civis e dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essas alianças têm caráter estratégico e visam a expansão territorial e o fortalecimento de mercados ilícitos, especialmente o tráfico de drogas. A atuação conjunta permite divisão de funções entre facções nacionais e regionais, ampliando a presença e reduzindo custos operacionais.
No caso do RN, o levantamento indica a atuação do chamado Sindicato do Crime, facção local que mantém conexões com o TCP. A dinâmica segue um padrão observado em outras regiões do país, no qual grupos regionais preservam certa autonomia, enquanto organizações nacionais oferecem suporte logístico, fornecimento de drogas e articulação de rotas interestaduais e internacionais.
Especialistas apontam que o crime organizado deixou de atuar de forma isolada e passou a operar em rede, com alianças que atravessam estados e até fronteiras. O pesquisador Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, avalia que essa configuração responde a necessidades estratégicas das facções, com o TCP ampliando presença ao se aliar a grupos que resistem à atuação do CV.
O estudo também destaca que, em algumas regiões, houve redução de confrontos diretos entre facções. No entanto, essa diminuição da violência não representa enfraquecimento das organizações, mas sim uma mudança de estratégia voltada à diminuição de custos operacionais e maior eficiência nas atividades ilícitas.

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