Em passagem pelo município de Parnamirim (RN) nesta quarta-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a falar sobre o sistema eleitoral para os seus apoiadores. O discurso foi transmitido ao vivo pela TV Brasil. De acordo com o presidente, “não serão dois ou três que decidirão como serão contados esses votos”, além de incitar o armamento. O caso levou a deputada federal Natália Bonavides (PT/RN) a entrar com uma representação contra Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para Bonavides, o chefe do Executivo tenta deslegitimar a urna eletrônica por saber que sua reeleição está cada vez mais difícil. “O discurso do presidente é criminoso, cria uma atmosfera de fraude e desconfiança. As pesquisas mostram que o país está cansado do bolsonarismo. Então ele precisa descredibilizar as eleições para criar o caos”, afirma.
No documento, a parlamentar aponta que Bolsonaro promoveu “desordem e prejudicou os trabalhos eleitorais”, crime previsto no artigo 296 do Código Eleitoral. “Bolsonaro também faz uso desses ataques sempre que algum caso de corrupção do seu Governo, ou de seus filhos, aparece na mídia. Ele tenta abafar o escândalo dentro do MEC de negociatas para liberação de verbas”, destaca a parlamentar.
O presidente Bolsonaro já havia questionado a legitimidade das urnas eletrônicas em outras situações, como a tentativa de retomar o voto impresso para as eleições de 2022 e ao dizer, sem comprovar, que o Exército havia detectado vulnerabilidades nas urnas, fato que o TSE desmente.
Evento em Parnamirim
Em evento, nesta quarta-feira 30, em Parnamirim, na Grande Natal, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a fazer ameaças contra o Judiciário e a colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro durante seu discurso. “Podem ter certeza que, por ocasião das eleições de 2022, os votos serão contados no Brasil. Não serão dois ou três que decidirão como serão contados esses votos. Nós defendemos a democracia, defendemos a liberdade, e tudo faremos, até com sacrifício da própria vida, para que esses direitos sejam de fato relevantes e cumpridos em nosso país”, disse Bolsonaro em referência aos ministros Roberto Barroso, ex-presidente do TSE, Edson Fachin, atual ocupante do cargo, e o ministro Alexandre de Moraes, que irá presidir a Corte durante as eleições de outubro.
O presidente ainda fez duras críticas à governadora norte-rio-grandense Fátima Bezerra (PT) e outros gestores pela condução da pandemia. “2020, lamentavelmente tivemos a pandemia. Vocês não podem se esquecer o que passaram ao longo desses dois anos com a pandemia, não só levando-se em conta os parentes e amigos que perderam, mas também a ação de muitos governadores e governadoras”, disse, alfinetando a governadora do RN Fátima Bezerra, uma vez que é a única mulher a comandar um estado no Brasil.
E continuou: “Pessoas que obrigaram o povo a ficar em casa sem medir consequências, sem levar em conta que grande parte da população brasileira vive da informalidade”. Bolsonaro relatou ainda que, neste ano, as eleições não serão definidas por “esquerda ou direita”, mas sim, pelo “bem e o mal”. “E o bem sempre venceu. Dessa vez, não será diferente. O bem vencerá. O bem está ao lado da maioria da população brasileira. O bem nos faz pensar no próximo e em um país melhor para todos”.
Ele ainda alfinetou o PT ao falar sobre o último pleito. “A missão não é fácil, mas sabemos que juntos iremos cumpri-la. A satisfação de ser o chefe do Executivo, impedindo que ‘alguém vermelho’ estivesse no meu lugar, não tem preço. Acabou o tempo da demagogia, mentira e corrupção. Agora é o tempo da liberdade de religião, de livre mercado e de agradecer ao nosso Deus por esse país maravilhoso”.
Antes de discursar sobre democracia, o presidente abordou o assunto da liberação das armas. “Temos um dos presidentes mais democráticos da história do Brasil, um presidente que deu direito a seu povo a ter posse de arma de novo, chega de só ‘bandido’ estar armado. O povo armado jamais será escravizado”, afirmou.

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