Gazeta do RN

Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 29 de Abril 2026

Economia

Copom delibera sobre a Selic em meio a cenário de guerra e inflação em alta

A prévia da inflação oficial, mensurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), acelerou para 0,89% em abril, sob a pressão de combustíveis e alimentos.

Redação
Por Redação
Copom delibera sobre a Selic em meio a cenário de guerra e inflação em alta
© Marcello Casal JrAgência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, que impulsiona os preços dos combustíveis e a inflação global, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza sua terceira reunião do ano nesta quarta-feira (29). Apesar da valorização do petróleo, especialistas do mercado financeiro projetam uma segunda redução consecutiva da taxa básica de juros.

A taxa Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano, atingiu 15% entre junho de 2025 e março deste ano, o que representou o nível mais elevado em quase duas décadas.

O anúncio da decisão referente à Taxa Selic está previsto para o início da noite de quarta-feira. O Comitê de Política Monetária (Copom) enfrentará a reunião com membros a menos, uma vez que os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, terminaram no final de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não submeteu as nomeações dos sucessores ao Congresso Nacional.

Publicidade

Adicionalmente, a reunião deste mês contará com outra ausência. Na terça-feira (28), o Banco Central informou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participará devido ao falecimento de um familiar de primeiro grau.

A ata do encontro de março revelou que o Copom não sinalizou a continuidade dos cortes de juros. Em virtude do conflito no Oriente Médio, o Banco Central declarou que a intensidade e a direção do “ciclo de calibração” da Selic (seja para aumento ou redução) serão definidas “progressivamente”, conforme novas informações forem integradas às avaliações.

Conforme a mais recente edição do boletim Focus, um levantamento semanal realizado com analistas de mercado, a expectativa é de que a taxa básica de juros seja cortada em 0,25 ponto percentual, alcançando 14,5% ao ano.

Inflação

A trajetória da inflação permanece incerta. A prévia do índice oficial de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), mostrou uma aceleração para 0,89% em abril, influenciada principalmente pelos aumentos nos preços de combustíveis e alimentos. No período acumulado de 12 meses, o indicador subiu para 4,37%, em comparação com 3,9% registrado em março.

De acordo com o mais recente boletim Focus, a projeção para a inflação em 2026 foi elevada para 4,86%, reflexo direto do conflito no Oriente Médio. Esse patamar excede o limite superior da meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta oficial é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo um teto de 4,5%.

Taxa Selic

A taxa básica de juros, conhecida como Selic, é empregada nas transações de títulos públicos federais negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e funciona como um balizador para as demais taxas praticadas na economia. Constitui o principal mecanismo do Banco Central para assegurar o controle inflacionário. Diariamente, o BC intervém através de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos – com o objetivo de manter a taxa de juros alinhada ao valor estabelecido em suas reuniões.

Ao elevar a taxa básica de juros, o Copom busca frear uma demanda excessiva, o que impacta os preços, pois juros mais elevados tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança. Consequentemente, taxas mais altas podem também dificultar o crescimento econômico. Contudo, além da Selic, as instituições bancárias consideram outros elementos ao determinar os juros aplicados aos consumidores, como o risco de inadimplência, a margem de lucro e os custos administrativos.

Por outro lado, a diminuição da Selic geralmente resulta em crédito mais acessível, o que estimula a produção e o consumo, mitigando o controle inflacionário e impulsionando a atividade econômica.

O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza suas reuniões a cada 45 dias. No dia inicial do encontro, são apresentadas análises técnicas detalhadas sobre o panorama e as projeções das economias brasileira e global, bem como a dinâmica do mercado financeiro. No dia seguinte, os integrantes do Copom, que compreendem a diretoria do Banco Central, deliberam sobre as opções e estabelecem a taxa Selic.

Meta contínua

Com o novo regime de meta contínua, implementado a partir de janeiro de 2025, a meta inflacionária a ser perseguida pelo Banco Central, conforme estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%. Essa meta possui um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, tanto para mais quanto para menos, o que estabelece limites de 1,5% (inferior) e 4,5% (superior).

Nesse sistema de meta contínua, a apuração do objetivo inflacionário ocorre mensalmente, levando em conta a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Por exemplo, em abril de 2026, a inflação registrada desde maio de 2025 é confrontada com a meta e sua margem de tolerância. Em maio de 2026, o processo é replicado, com a análise iniciando em junho de 2025. Assim, a verificação se move continuamente no tempo, deixando de ser restrita ao índice consolidado de dezembro de cada ano.

No mais recente Relatório de Política Monetária, publicado pelo Banco Central no final de março, a autoridade monetária ajustou para cima a projeção do IPCA para 2026, de 3,5% para 3,6%. No entanto, essa estimativa poderá ser novamente revisada caso o conflito no Oriente Médio persista. A próxima versão do documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, tem previsão de lançamento para o final de junho.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
Comentários:

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR