Alunos do berçário e da educação infantil do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Fernanda Jalles, em Natal, continuam sem aulas presenciais por falta professores auxiliares.
Após mais de um ano sem aula por causa da pandemia, os CMEIs retomaram as atividades presenciais em julho na capital potiguar. Porém, no CMEI Fernanda Jalles, no Pitimbú, faltam estagiários que atuam como professores auxiliares.
A diretora pedagógica da unidade, Danielle Queiroz, explica que mantém contato frequentemente com a Secretaria Municipal de Educação para tentar resolver o problema. "Nós estamos precisando de dois estagiários e uma professora de hora extra, e eles informam pra gente que estão providenciando", diz.
O CMEI oferece atividades remotas para as crianças, mas os pais reclamam que isso não supre a necessidade de interação dos estudantes e ainda alegam que não têm como trabalhar sem poder deixar os filhos na escola.
"Ensino remoto não é a mesma coisa. Eu sou autônoma e preciso dele nesse horário na escola para eu conseguir trabalhar. Além disso, a gente queria que ele viesse e interagisse, porque essa interação é muito importante para a educação e para o desenvolvimento da criança", diz Ana Carla Freitas, mãe de Heitor Miguel, de 2 anos.
Kátia Enedina conta que está sem trabalhar, pois precisa ficar em casa com a filha, Sofia, de 2 anos e 5 meses. "Não consigo trabalhar. Sem chance de fazer nada para vender. Estou de olho nela 24 horas. Estamos cobrando um direito nosso", conta.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Natal informou que o Departamento de Recursos Humanos encaminhou seis estagiários para o CMEI Professora Antônia Fernanda Jalles.
De acordo com a pasta, dos 74 Centros Municipais de Educação Infantil da rede municipal de ensino, 22 oferecem a etapa de "Berçário", mas "nenhum outro apresenta déficit de estagiário que justifique a suspensão das aulas".
Merenda incompleta
Além da falta de aulas, alguns Centros de Educação de Natal relatam a falta de alimentos como carne, ovos, frutas, verduras, leite, achocolatado, entre outros, para a merenda dos alunos. É o caso do CMEI Professor Arnaldo Arsênio de Azevedo, no conjunto Leningrado, Zona Oeste. As aulas na unidade seriam suspensas nesta quarta-feira (22) por causa do déficit na alimentação.
"Eu informei aos pais que não teríamos mais aulas e fui até a Secretaria para obter alguma informação sobre esse caos que estamos vivendo com relação a merenda. Chegou um paliativo, que nos dá segurança até o dia 1 de outubro, mas aguardamos a chegada de mais itens para garantir as duas refeições diárias dos nossos alunos", explica a diretora da unidade, Liane Meire.
De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, nenhuma unidade de ensino está com aulas suspensas por falta de merenda. "Todas as unidades possuem Unidade Executora (UEx), com exceção de duas, por isso podem gerenciar os recursos para aquisição da merenda. O que cabe à Secretaria é garantir fornecedores habilitados e que atendam todas as exigências nutricionais do Programa Nacional de Alimentação Escolar e acompanhados pela equipe de nutricionistas da SME Natal", informou a pasta.