Nesta sexta-feira (24), um coletivo de sete pesquisadores apresenta em São Paulo o "Guia da Gestão Pública Antirracista". A obra oferece bases teóricas, análises aprofundadas e um plano de ações para combater o racismo institucional e as disparidades raciais.
Clara Marinho, uma das autoras da publicação, explica que a iniciativa surgiu da carência de um recurso prático que detalhasse as políticas antirracistas existentes no setor público, os obstáculos a serem superados e as possibilidades de progresso.
A pesquisadora enfatiza que, além do arcabouço legal, as políticas públicas podem ser aprimoradas com dados raciais coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Marinho salienta a importância de ferramentas que auxiliem os servidores a lidar com questões complexas, como o racismo.
Ela aponta que o guia contribuirá para mapear as estratégias de enfrentamento disponíveis e aplicáveis.
"A obra funciona como uma introdução abrangente à política pública antirracista", descreve.
A coautora observa que, mesmo com o concurso público sendo um mecanismo de seleção teoricamente imparcial, há uma concentração desproporcional de indivíduos negros em cargos que demandam menor qualificação dentro da administração pública.
"Essas posições, muitas vezes, estão distantes das áreas consideradas estratégicas para a gestão governamental", complementa.
Para superar desigualdades
A autoria do livro é compartilhada por Clara Marinho, Michael França, Giovani Rocha, Ellen da Silva, João Pedro Caleiro, Lia Pessoa e Karoline Belo.
O lançamento ocorrerá às 19h no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), com um debate entre os autores sobre o conteúdo. Na segunda-feira (25), a obra será apresentada em Brasília, primeiro às 9h na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e, posteriormente, às 19h na Livraria Circulares.
Os autores indicam que a obra se destina a gestores e lideranças públicas, visando a superação das desigualdades raciais. Clara Marinho reitera o papel fundamental do Estado na promoção da igualdade racial e no reconhecimento das reivindicações sociais. "Concebemos o livro como um diálogo", conclui.

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