A expectativa do setor financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, foi ajustada de 4,86% para 4,89% para o ano corrente. Essa estimativa consta no Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (4), que compila as projeções de diversas instituições financeiras sobre os principais índices econômicos.
Em um cenário de pressões inflacionárias, impulsionadas pela escalada dos preços dos combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio, a projeção para o IPCA de 2024 registrou sua oitava elevação consecutiva. Tal patamar excede o teto da meta inflacionária definida pelo Banco Central. A meta, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que estabelece um piso de 1,5% e um teto de 4,5%.
No mês de março, o avanço dos custos nos setores de transportes e alimentação resultou em uma inflação oficial mensal de 0,88%, superior aos 0,7% observados em fevereiro. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulado nos últimos 12 meses alcançou 4,14%.
Para o ano de 2027, a expectativa para a inflação se manteve em 4%. Já para os anos de 2028 e 2029, as projeções apontam para 3,64% e 3,5%, respectivamente.
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Taxa Selic
Com o objetivo de atingir a meta inflacionária, o Banco Central emprega a taxa básica de juros, a Selic, como sua principal ferramenta. Atualmente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC estabeleceu-a em 14,5% ao ano. Na reunião mais recente, realizada na semana passada, o colegiado decidiu por unanimidade cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, marcando a segunda redução consecutiva, mesmo em meio às preocupações geradas pelo conflito no Oriente Médio.
Entre junho de 2025 e março do ano corrente, a Selic permaneceu em 15% ao ano, seu patamar mais elevado em quase duas décadas. O Copom optou por uma nova redução dos juros na última sessão, em um contexto de desaceleração inflacionária. Contudo, o conflito no Oriente Médio, que provocou a elevação dos preços de combustíveis e alimentos, impõe desafios adicionais à atuação do Copom.
Em comunicado, o comitê não forneceu indicações sobre a trajetória futura dos juros. A nota apenas mencionou que o cenário do conflito e seus potenciais impactos inflacionários estão sob constante monitoramento.
A próxima reunião do Copom para deliberar sobre a taxa Selic está agendada para os dias 16 e 17 de junho.
No atual Boletim Focus, a projeção dos especialistas de mercado para a taxa básica de juros até o final de 2026 permaneceu em 13% anuais. Para 2027 e 2028, a expectativa é de que a Selic seja cortada para 11% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve se estabilizar em 10% ao ano.
Quando o Copom decide elevar a Selic, o objetivo principal é frear uma demanda excessiva, o que, por sua vez, impacta os preços. Juros mais elevados encarecem o acesso ao crédito e incentivam a poupança. Consequentemente, taxas mais altas podem também retardar o crescimento econômico.
As instituições bancárias, ao estabelecerem as taxas de juros para os consumidores, levam em conta outros elementos, tais como o risco de inadimplência, a margem de lucro desejada e os custos administrativos.
A redução da Taxa Selic, por outro lado, tende a baratear o crédito, fomentando a produção e o consumo. Isso, embora possa diminuir a pressão sobre a inflação em alguns cenários, geralmente visa estimular a atividade econômica.
PIB e câmbio
Na atual edição do boletim do Banco Central, a projeção das entidades financeiras para o crescimento da economia brasileira em 2024 manteve-se em 1,85%.
Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB, que representa a totalidade de bens e serviços gerados no país) foi revisada para baixo, passando de 1,8% para 1,75%. Para os anos de 2028 e 2029, o setor financeiro prevê um crescimento do PIB de 2% em ambos os períodos.
No ano de 2025, a economia do Brasil registrou um crescimento de 2,3%, conforme dados do IBGE. Com uma expansão abrangente em todos os setores, e com a agropecuária em evidência, esse resultado marca o quinto ano consecutivo de crescimento econômico.
Nesta edição do Focus, a expectativa para a cotação do dólar ao término do ano corrente é de R$ 5,25. Para o final de 2027, a previsão é que a moeda estadunidense atinja R$ 5,30.

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