Em 6 de junho de 2020, a idosa Lindalva Mariano Nunes recebia os filhos e netos de uma forma diferente. A família preparou uma cortina de plástico e instalou no portão da casa dela, em Mossoró, na Região Oeste do Rio Grande do Norte, para abraçá-la no dia do aniversário. A ideia era evitar o contágio da Covid, já que a idosa estava isolada desde o início da pandemia.
Na sexta-feira (11) se completou dois anos do início da pandemia declarada pela OMS e o cenário visto é outro. Com o avanço da vacinação e a queda nos índices de transmissão no estado, a família conseguiu voltar a se reunir e dar "abraços reais".
"Graças a Deus que a pandemia está diminuindo bastante, então eu estou feliz porque estão todos de volta à minha casa. Antes era muito ruim, era solidão, sem os filhos, os netos. Às vezes eles vinham na calçada e do portão mesmo eu conversava com eles. Eu me senti muito feliz em abraçá-los normalmente", contou Lindalva, de 69 anos, ao g1.
Segundo a idosa, aquele aniversário, no entanto, não deixou de ser especial, já que ela não encontrava a família há algum tempo. Ela tem sete filhos e 19 netos.
"Eu também fiquei feliz por ter abraçado mesmo sendo pela cortina. Mas agora eu estou mais feliz", disse.
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A família ainda demorou a retomar parte da normalidade dos encontros. Em 2020, conta a filha Matilde Mariano Nunes, "continuamos a mesma rotina de não entrar na casa dela, ficando somente no portão".
A primeira reunião familiar foi em 2020, mas todos de máscaras. "No início do ano passado começamos a flexibilizar um pouco com visitas de máscaras e acesso dentro de casa sem calçado. Quando uma nova variante surgia ficávamos apreensivos. Pois nosso ideal é sempre proteger nossa mãe", conta Matilde.
O abraço só voltou a ser normalizado no fim do ano passado. "Somente começamos a nos abraçar mesmo já nas festas de fim ano, Natal e Réveillon. Hoje em dia estamos todos misturados e nos abraçando. Família é união, abraço, amor".
Matilde diz que lembra que a mãe "só fazia chorar" quando esse reencontro afetivo aconteceu. "Encontrar e abraçar pessoalmente é maravilhoso. Nosso coração palpitava".
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