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Segunda-feira, 04 de Maio 2026

Justiça

Flávio Dino questiona a colaboração entre CVM e BC na prevenção de fraudes

Sem mencionar o Banco Master, o ministro indaga sobre a capacidade do Estado e do mercado financeiro em evitar futuros "acidentes de tão graves proporções".

Redação
Por Redação
Flávio Dino questiona a colaboração entre CVM e BC na prevenção de fraudes
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou questionamentos nesta segunda-feira (4) acerca da eficácia da atuação conjunta do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização de fundos de investimento potencialmente utilizados para lavagem de dinheiro.

Dino é o relator de um processo que aborda a competência da CVM e conduziu uma audiência pública para discutir o tema. O caso chegou ao Supremo por meio de uma ação movida pelo partido Novo, que contesta a constitucionalidade da taxa de fiscalização cobrada pelo órgão regulador.

Embora não tenha feito referência direta às irregularidades envolvendo o Banco Master, o ministro indagou como as instituições estatais e o setor financeiro podem impedir que um novo "acidente de tão graves proporções" se materialize novamente.

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“Por que este sistema não operou eficazmente nos casos de fundos empregados para branquear capitais do Primeiro Comando da Capital (PCC) ou do Comando Vermelho (CV)?”, questionou.

Durante a sessão, Rogério Antônio Lucca, secretário-executivo do Banco Central, afirmou que as entidades mantêm um acordo de cooperação que facilita a coordenação entre o sistema financeiro e o mercado de valores mobiliários, realizando quatro encontros trimestrais anualmente.

"Independentemente do acordo de cooperação, é uma obrigação legal de ambas as instituições que, ao identificarem qualquer irregularidade pertinente à alçada de outro órgão – seja CVM, Polícia Federal ou Coaf –, tanto o Banco Central quanto a CVM têm o dever de notificar a entidade competente. Esta obrigatoriedade é desvinculada de qualquer convênio", esclareceu Lucca.

“Ninguém viu”?

Sem mencionar especificamente o caso Master, o ministro Flávio Dino declarou que fraudes bancárias são frequentemente evidentes e descreveu a situação como um “elefante pintado de azul desfilando na Esplanada”.

“Sempre me surpreendo, e isso não é de hoje. Desde 1999, atuo em Brasília em diversas funções. Nunca presenciei tantos 'elefantes pintados de azul' circulando pela Esplanada, tantas aberrações. Minha pergunta como servidor público é: ninguém percebeu? Como é possível que ninguém tenha visto? O elefante é grande, azul e está à vista de todos”, expressou.

FGC

O ministro também alertou para os prejuízos aos consumidores decorrentes de falhas na fiscalização do mercado financeiro, mencionando o emprego dos recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para compensar aqueles lesados por esquemas fraudulentos.

“Quando o FGC desembolsa R$ 40 bilhões ou R$ 50 bilhões, em última instância, essa conta será paga por alguém”, pontuou.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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