A Escola Estadual Belém Câmara, no bairro Cidade da Esperança, na Zona Oeste de Natal, convive há pelo menos dois anos com parte do teto e do forro das salas de aula destruídos, além de infiltrações nas paredes e alagamentos em dias de chuva.
Em maio de 2019, uma parte do teto do pátio caiu e atingiu dois estudantes, que tiveram ferimentos leves. Desde lá, apesar da promessa, nenhuma obra de reparação foi feita - nem mesmo a parte do telhado foi reconstruída, segundo a diretoria da escola.
O G1 procurou a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do RN (Seec), mas não teve resposta até a atualização mais recente da matéria.
"O processo de deterioração vem de muitos anos, haja vista a escola ter mais de 50 anos e nunca ter passado por uma reforma em sua estrutura. Em 2019, parte do telhado caiu e de lá pra cá, só piorou. Há vazamentos no telhado, infiltrações detectáveis a olho nu. Decidimos retirar o forro de algumas salas para tentar amenizar as goteiras, mas não resolve. Tudo o que fazemos é insuficiente", contou a vice-diretora Érica Mendonça.
Recentemente uma das salas de aula chegou a ser interditada por engenheiros da Seec por conta de um formigueiro. "Está colocando a estrutura em risco, afundando o piso", explicou a vice-diretora.
"E o setor onde fica a administração, está com uma infiltração grande. Em dia de chuva, a gente tem medo de ir presencial, pois pode desabar. Ano passado o forro da sala dos professores desabou", contou.
Além dos riscos de desabamento do teto da escola e do pátio, inclusive da caixa d'água, ela diz ainda que há uma fossa aberta atrás da cozinha.
Reestruturação
A vice-diretora explicou que o conselho escolar decidiu não retornar presencialmente às atividades até que uma reforma fosse feita no local - as aulas na rede estadual retornaram de forma híbrida em julho após a paralisação pela Covid. A Seec, segundo a diretora, liberou uma verba de R$ 33 mil através do recurso do Pague Reforma. Para isso, é necessário apresentar uma planilha com 3 orçamentos de três empresas.
"Mas nenhuma empresa quer pegar o serviço, porque é um valor muito baixo para o tanto de dano que há para ser reparado. Nenhuma empresa séria quer se responsabilizar, pois não há como dar garantias. A verba é destinada a pequenos reparos".
Logo após o acidente em 2019, com a queda do telhado, a escola deu entrada no processo para liberação dos recursos, que chegou a ser prometido pela Secretaria de Educação. "Demorou tanto que perdeu a validade".
"Esse ano o chefe da 1ª Direc [Diretoria Regional de Educação e Cultura] se disponibilizou a fazer o processo andar. Os engenheiros da Seec estiveram lá ainda no primeiro semestre desse ano e ao terminarem a visita, assumiram que o recurso do 'Pague' era insuficiente".
Ainda sem aulas na unidade, estão trabalhando presencialmente funcionários terceirizados, da gestão, da coordenação, secretaria e cozinha.