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Segunda-feira, 04 de Maio 2026

Saúde

Anvisa aprova novo fármaco para epilepsia farmacorresistente

A condição, que afeta cerca de 30% das pessoas com epilepsia, caracteriza-se pela persistência das crises mesmo após múltiplos tratamentos.

Redação
Por Redação
Anvisa aprova novo fármaco para epilepsia farmacorresistente
© Valter Campanato/Agência Brasil
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu aprovação a um novo medicamento, o Xcopri (cenobamato), desenvolvido pela Momenta Farmacêutica. Este fármaco é destinado ao tratamento de crises focais em adultos que sofrem de epilepsia farmacorresistente.

Indivíduos diagnosticados com essa forma da doença continuam a experimentar episódios convulsivos, mesmo após terem tentado, sem sucesso, pelo menos duas abordagens terapêuticas distintas. Estima-se que aproximadamente 30% das pessoas com epilepsia enfrentem essa realidade.

O mecanismo de ação do cenobamato consiste na diminuição da atividade elétrica cerebral anômala, resultando na redução da frequência desses eventos.

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Conforme informações da Anvisa, os ensaios clínicos revelaram uma diminuição notável na frequência das crises com o uso do medicamento. Em particular, 40% dos pacientes que receberam 100 miligramas (mg) diários experimentaram uma redução de no mínimo 50% nos episódios, enquanto 64% daqueles que utilizaram 400 mg por dia observaram a mesma melhoria. Em contraste, o grupo que recebeu placebo durante os estudos registrou uma melhora de 26%.

Apesar da aprovação do registro, a comercialização do Xcopri no mercado brasileiro está condicionada à determinação do seu preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A inclusão do tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de uma análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e de uma subsequente decisão do Ministério da Saúde.

Entenda a epilepsia

A epilepsia é caracterizada por uma disfunção cerebral transitória e reversível, que não decorre de febre, uso de substâncias psicoativas ou desequilíbrios metabólicos.

Por um período que varia de poucos segundos a minutos, uma região cerebral emite impulsos elétricos anormais. Esses impulsos podem permanecer localizados, resultando em uma crise parcial, ou se disseminar pelos dois hemisférios cerebrais, caracterizando uma crise generalizada.

O diagnóstico, na maioria das vezes, é estabelecido clinicamente. Isso envolve um exame físico abrangente, com foco nas esferas neurológica e psiquiátrica, além de um histórico minucioso fornecido pelo próprio paciente ou por alguém que tenha presenciado e possa descrever as crises em detalhes.

Informações cruciais a serem comunicadas aos profissionais de saúde incluem a presença de uma aura – um tipo de crise em que o paciente mantém a consciência –, os elementos que desencadeiam os episódios, a idade em que as crises começaram, sua periodicidade e os intervalos entre elas.

Março roxo

A aprovação deste medicamento coincide com o Março Roxo, um mês dedicado à conscientização global sobre a epilepsia, que culmina no Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, em 26 de março.

Esta campanha visa educar o público sobre a condição neurológica, combater o estigma social e fomentar a empatia e o entendimento. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que aproximadamente 65 milhões de indivíduos em todo o planeta vivem com epilepsia.

No Brasil, mais de dois milhões de pessoas são afetadas por essa condição de saúde. A Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) ressalta que muitos desses pacientes não só lidam com as dificuldades do tratamento, mas também com o preconceito e a falta de informação.

Para a neurologista Juliana Passos, que integra a diretoria da LBE, o novo fármaco representa um progresso significativo, especialmente para pacientes com epilepsia de difícil controle.

“Esta medicação é indicada para o tratamento de pacientes com epilepsia farmacorresistente, e seus resultados superaram consideravelmente os obtidos com outros medicamentos anti-crises recentes. É urgente oferecer uma oportunidade significativamente maior de controle das crises para esses pacientes”, pontua a especialista.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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