Gazeta do RN

Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 20 de Abril 2026

Estado

MPF recomenda que prefeitura não sancione trechos do Plano Diretor de Natal referentes ao estuário e manguezais do Rio Potengi

Órgão aponta que deve ser feito uma consulta com a população residente e que trabalha na região.

Marcos Costa
Por Marcos Costa
MPF recomenda que prefeitura não sancione trechos do Plano Diretor de Natal referentes ao estuário e manguezais do Rio Potengi
Divulgação/MPF
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à prefeitura de Natal que não sancione trechos do Plano Diretor relativos à Zona de Proteção Ambiental 08 (ZPA-08), que abrange o estuário e os manguezais ao longo do Rio Potengi.

A recomendação é de que isso ocorra até a realização de um processo de Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) das populações residentes e que fazem uso da região.

A revisão do novo Plano Diretor define novos limites da ZPA e trata da permanência dos seus moradores enquanto não houver regulamentação. Caso a sanção ocorra antes do recebimento do pedido, o MPF requer que o prefeito suspenda os efeitos.

Publicidade

À Inter TV Cabugi, a prefeitura informou que as equipes jurídica e técnica ainda estão avaliando o Plano Diretor e que, por enquanto, não vai se pronunciar sobre a recomendação.

Para o procurador da República Camões Boaventura, a sanção desses trechos sem a consulta prévia representaria uma inconstitucionalidade que fere convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.

Segundo o MPF, diante disso, caso a recomendação não seja acatada pela prefeitura, pode haver adoção medidas judiciais pelo órgão.

O MPF informou, inclusive, que já tramita um procedimento de acompanhamento para monitorar a regulamentação da Floresta de Manguezal da ZPA-08, assim como a conclusão da implantação de uma Unidade de Conservação dos Mangues do Potengi, englobando o ecossistema manguezal do estuário dos rios Potengi e Jundiaí.

Falta de informações e consultas à população

O representante do MPF disse que não encontrou nenhum documento que informe sobre a existência de grupos de trabalho, estudos ou mapeamentos sobre as comunidades tradicionais que se relacionam com a ZPA nem que evidenciem a participação adequada das populações locais no processo de revisão do Plano Diretor.

A ZPA-08 é a maior zona de proteção ambiental de Natal, com 2.210 hectares, o equivalente a 13% do município. Aproximadamente 22 mil pessoas habitam a área e o rendimento mensal predominante é de até três salários mínimos.

O Ministério Público Federal expediu ofício à Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb) solicitando informações sobre quantas e quais são as comunidades tradicionais relacionadas com a ZPA-08, questionando se houve participação dessas populações no processo de revisão e quais meios foram utilizados para esse fim.

A prefeitura solicitou um prazo de 30 dias para a resposta. Segundo o MPF, após o pedido, já se passaram mais de 60 dias e ainda não houve resposta.

Regulamentação

O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conema) aprovou em 2006 a ideia de um plano emergencial para criação do Parque dos Mangues, abrangendo um Programa de Recuperação do Estuário do Rio Potengi e a organização das atividades humanas que com ele se relacionam, incluindo, além da Unidade de Conservação, duas áreas de uso público.

Uma audiência pública realizada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) em 2015 apontou a necessidade de a ZPA-08 incluir em sua regulamentação as atividades de extrativismo tradicionais dos marisqueiros, pescadores artesanais e comunidades tradicionais que habitam ou retiram o seu sustento do estuário do Potengi, reafirmando a existência dessas populações e evidenciando o valor também socioeconômico e cultural da área.

O próprio documento de Zoneamento Ambiental do Município de Natal reconhece a região como um ecossistema litorâneo de grande importância socioeconômica para a cidade, por ser fonte de alimentos e local de reprodução de espécies de fauna marinha, refúgio natural de peixes e crustáceos, propiciador da pesca e de alimentos para a população ribeirinha, dentre outras práticas.

Além das atividades promovidas pelas comunidades tradicionais, há no entanto presença de diversas interferências de alto impacto ambiental, e de elevado estágio de consolidação, como as indústrias, a carcinicultura, as estações de tratamento de esgotos, as atividades portuárias e o turismo, gerando relevantes conflitos socioambientais.

 

FONTE/CRÉDITOS: g1.globo.com/rn
Comentários:
Marcos Costa

Publicado por:

Marcos Costa

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR