Na última leitura da mensagem anual à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, realizada nesta terça-feira (10), a governadora Fátima Bezerra utilizou o pronunciamento para ir além da prestação de contas administrativa. Em meio à antecipação do debate eleitoral de 2026, o discurso trouxe sinalizações claras sobre a sucessão estadual e o futuro político da chefe do Executivo.
Após dois mandatos consecutivos, Fátima adotou um tom de defesa do legado da gestão, rebatendo críticas à condução econômica e destacando avanços em áreas estratégicas, especialmente na saúde. A governadora também fez críticas diretas a entraves institucionais enfrentados pelo governo, com destaque para o processo de relicitação do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante.
Ao abordar a política de incentivos fiscais, Fátima afirmou que encontrou um Estado em dificuldades e atribuiu a perda de competitividade do Rio Grande do Norte a um modelo que, segundo ela, estava esgotado. A governadora citou o antigo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial (Proadi) e destacou a criação de um novo marco legal, construído em diálogo com o setor produtivo e aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa.
Na área da saúde, a governadora reconheceu a existência de desafios, mas afirmou que a atual rede representa avanços significativos em relação ao cenário encontrado no início da gestão. Entre os exemplos citados, destacou a ampliação do número de leitos de UTI, que teria passado de cerca de 170 para mais de 330, além da interiorização desses serviços em regiões que antes não contavam com atendimento intensivo.
Outro ponto de forte conteúdo político foi a crítica ao processo de relicitação do aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Fátima afirmou que o Estado aguardou por três anos uma solução e atribuiu o atraso a entraves no âmbito federal, mencionando o Tribunal de Contas da União e o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Segundo ela, o impasse só foi resolvido após o retorno do presidente Lula ao Palácio do Planalto.
O discurso também teve tom pessoal e político. A governadora afirmou que sua trajetória na vida pública sempre foi pautada pelo compromisso coletivo e não por interesses individuais, em uma sinalização direta ao debate sobre sua eventual saída do governo para disputar o Senado. Caso isso ocorra e o vice-governador Walter Alves mantenha a decisão de não assumir o Executivo, o Rio Grande do Norte poderá enfrentar uma situação inédita de vacância, com a necessidade de um mandato-tampão até o fim da gestão.
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