A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) anunciou a doação de 110 mil mudas de espécies nativas para todos os municípios do Rio Grande do Norte, reforçando seu protagonismo e compromisso com a preservação ambiental. O anúncio foi feito durante a IV Assembleia Potiguar do Clima (ASCOP-RN), realizada no campus do IFRN em Ipanguaçu, evento que reuniu diversos setores da sociedade para discutir estratégias contra a desertificação da Caatinga.
Segundo o agrônomo Giorgio Ribeiro, coordenador do Setor de Mudas da Ufersa, a produção de mudas da universidade cresceu significativamente nos últimos anos. De 2018 a 2021, a produção anual triplicou, passando de 4 mil para um total de 300 mil mudas produzidas nos últimos três anos, mesmo diante dos desafios impostos pela pandemia. Atualmente, 60 mil mudas já estão prontas para plantio e aguardam o engajamento das prefeituras para distribuição.
Cada município potiguar poderá receber até 2 mil mudas gratuitamente, contemplando espécies típicas do semiárido como siriguela, cajá e cajarana. Essa ação da Ufersa é vista como um presente para a população e uma contribuição concreta para a recuperação do bioma Caatinga. A universidade também foi representada por sua pró-reitoria de Extensão e Cultura e pelo Centro de Ciências Agrárias, que reafirmaram o apoio institucional às políticas públicas ambientais.
A IV ASCOP-RN teve como tema “Desertificação da Caatinga: Plantio de 5 milhões de mudas” e se firmou como um espaço plural para articulação e mobilização em defesa do bioma. O evento contou com debates, feiras e troca de experiências entre pesquisadores, gestores públicos, movimentos sociais e estudantes, promovendo uma ampla discussão sobre a conservação ambiental.
Além da doação de mudas, durante a assembleia foram apresentadas tecnologias sustentáveis para reflorestamento, como Waterboxx, hidrogel e sistemas de enraizamento profundo. Também foram destacadas iniciativas educativas e o fortalecimento dos saberes tradicionais, fundamentais para o sucesso da recuperação ambiental na região.
A assembleia lançou ainda um chamado aos municípios potiguares para aderirem ao projeto coletivo de recuperação da Caatinga, que prevê o plantio massivo e a criação de viveiros escolares e comunitários, reforçando a importância da mobilização local para a conservação do semiárido nordestino.
