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Sábado, 17 de Janeiro 2026

Justiça

STF já sentenciou mais de 800 réus por tentativa de golpe

Aproximadamente 60 condenados permanecem foragidos na Argentina

Redação
Por Redação
STF já sentenciou mais de 800 réus por tentativa de golpe
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já proferiu condenações contra mais de 800 indivíduos acusados de envolvimento nos eventos de 8 de janeiro de 2023. Esses atos, ocorridos no desfecho da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, visavam minar a democracia e a estabilidade das instituições brasileiras.

Os dados, coletados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos sobre a tentativa de golpe, abrangem o período até meados de dezembro de 2025 e estão sujeitos a futuras atualizações.

Em decorrência dos eventos golpistas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou 1.734 ações penais ao STF. As imputações foram categorizadas em incitadores, executores e quatro núcleos centrais, que supostamente apoiaram a tentativa do ex-presidente Bolsonaro de permanecer no poder após a derrota eleitoral, em uma clara subversão da ordem democrática.

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Núcleos da trama golpista

Com a conclusão dos julgamentos dos réus envolvidos na tentativa de golpe, o STF sentenciou 29 indivíduos à prisão, distribuídos entre os quatro núcleos principais da conspiração. Apenas dois foram absolvidos das acusações. Os réus pertencem aos núcleos 1, 2, 3 e 4.

O general do Exército Estevam Theófilo, processado no Núcleo 3, e Fernando de Sousa Oliveira, delegado da Polícia Federal e ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça, réu do Núcleo 2, foram os únicos a serem absolvidos por insuficiência de provas.

Até o presente momento, apenas as condenações dos réus do Núcleo 1, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados, foram executadas. Os demais núcleos ainda aguardam a fase de recursos.

As sentenças foram proferidas por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Para julgar os quatro núcleos, a Primeira Turma, colegiado encarregado do processo, realizou 21 sessões ao longo de quatro meses.

O Núcleo 5 é composto pelo réu Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura João Figueiredo. Residente nos Estados Unidos, seu julgamento ainda não possui data definida.

Principais condenados e suas penas

Núcleo 1 – Condenações de 11 de setembro de 2025:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República: 27 anos e três meses
  • Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato à vice na chapa de 2022: 26 anos;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: 24 anos;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal: 24 anos;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): 21 anos;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: 19 anos;
  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): 16 anos, um mês e 15 dias;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro: 2 anos em regime aberto e garantia de liberdade pela delação premiada.

Núcleo 2 – Condenações de 16 de dezembro de 2025:

  • Mário Fernandes, general da reserva do Exército: 26 anos e seis meses de prisão;
  • Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF): 24 anos e seis meses de prisão;
  • Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro: 21 anos de prisão;
  • Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro: 21 anos de prisão;
  • Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça: 8 anos e seis meses de prisão.

Núcleo 3 – Condenações de 18 de dezembro de 2025:

  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel: 24 anos de prisão;
  • Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel: 21 anos de prisão;
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel: 21 anos de prisão;
  • Wladimir Matos Soares, policial federal: 21 anos de prisão;
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel: 17 anos de prisão;
  • Bernardo Romão Correa Netto, coronel: 17 anos de prisão;
  • Fabrício Moreira de Bastos, coronel: 16 anos de prisão;
  • Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel: 3 anos e cinco meses de prisão;
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel: um ano e onze meses de prisão.

Núcleo 4 – Condenações de 21 de outubro de 2025:

  • Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército: 17 anos de prisão;
  • Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército: 15 anos e seis meses de prisão;
  • Marcelo Araújo Bormevet, policial federal: 14 anos e seis meses de prisão;
  • Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército: 14 anos de prisão;
  • Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva do Exército: 13 anos de prisão;
  • Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército: 13 anos e seis meses;
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal: 7 anos e seis meses de prisão.

Foragidos

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e ex-deputado federal, foi sentenciado a 16 anos de reclusão no processo da trama golpista e evadiu-se para os Estados Unidos, buscando evitar o cumprimento da pena.

O processo de extradição de Ramagem já se encontra em curso. Devido à condenação, ele também teve seu mandato parlamentar cassado.

Aproximadamente 60 indivíduos condenados pelos atos golpistas permanecem foragidos na Argentina. Esses réus romperam suas tornozeleiras eletrônicas e são igualmente alvo de solicitações de extradição.

Incitadores e executores

A maior parte dos condenados está inserida no grupo de incitadores e executores dos atos golpistas. Neste segmento, foram contabilizadas 810 condenações: 395 por organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado; e 415 por incitação à prática de crime e associação criminosa, consideradas infrações de menor gravidade.

Entre os sentenciados deste grupo, destaca-se a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. Em abril deste ano, Débora recebeu uma pena de 14 anos de prisão por sua participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e por ter pichado a frase "Perdeu, mané" na estátua A Justiça, situada em frente à sede do STF. Atualmente, ela cumpre prisão domiciliar.

Acordos de não persecução penal (ANPP)

O Supremo Tribunal Federal (STF) já homologou mais de 560 acordos de não persecução penal (ANPP). Esses acordos foram oferecidos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) a investigados que se encontravam nas imediações do quartel do Exército, em Brasília, mas não estiveram envolvidos na depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do próprio Supremo.

Com a homologação, os réus terão de prestar serviços à comunidade e arcar com multas que oscilam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil.

Adicionalmente, estão proibidos de utilizar redes sociais e deverão frequentar um curso sobre Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado. Em contrapartida, não serão alvo de processos por parte da procuradoria.

Indenizações

Todos os acusados serão igualmente responsáveis pelo pagamento solidário de R$ 30 milhões, referente aos prejuízos causados pela depredação.

Perda do cargo e inelegibilidade

Em decorrência das condenações, os sentenciados tornam-se inelegíveis por um período de oito anos. Militares do Exército, por sua vez, enfrentarão processos na Justiça Militar visando a perda do oficialato. Servidores públicos, caso condenados, perderão seus cargos estatutários.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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