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Quarta-feira, 11 de Março 2026

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Segurança, moradia e saúde são as maiores demandas dos moradores de favelas

Estudo do Data Favela ouviu 4.471 pessoas em todo o Brasil, com foco no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Redação
Por Redação
Segurança, moradia e saúde são as maiores demandas dos moradores de favelas
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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As comunidades brasileiras abrigam uma população predominantemente jovem, negra e trabalhadora, com aspirações claras para o futuro. Contudo, esses locais enfrentam desafios estruturais contínuos, abrangendo desde a educação até a segurança pública. Essa complexa realidade é detalhada na pesquisa "Sonhos da Favela", conduzida pelo Data Favela em todas as cinco regiões do país, com destaque para o Rio de Janeiro e São Paulo.

O levantamento foi realizado entre 11 e 16 de dezembro de 2025, entrevistando 4.471 residentes de favelas com mais de 18 anos. A iniciativa visa sensibilizar tanto a sociedade quanto as autoridades públicas sobre as carências e negligências que afetam diretamente a vida nessas comunidades, incentivando a busca por soluções.

A dignidade e o bem-estar fundamental despontam como as maiores aspirações. Ao vislumbrar o futuro familiar para o ano de 2026, a prioridade máxima dos entrevistados é a melhoria da moradia (31%), seguida pela garantia de acesso à saúde de qualidade (22%), a entrada dos filhos na universidade (12%) e a segurança alimentar (10%).

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“O Data Favela compreende que registrar os pensamentos, vivências e experiências dos moradores de favela representa, acima de tudo, um gesto de reconhecimento e reparação. A favela não deve ser vista apenas como ‘problema’ ou ‘estatística’, mas sim como um ambiente fértil para a inteligência coletiva, cultura, empreendedorismo, inovação e estratégias autênticas de prosperidade”, afirma Cléo Santana, copresidente do Data Favela.

“Dar voz a quem reside na favela diariamente transforma o foco da narrativa: não se trata meramente de ‘discutir sobre’, mas de cocriar dados com os próprios indivíduos, partindo do que eles percebem como urgente, viável e essencial. Essa abordagem impacta diretamente a formulação de políticas públicas, a interação das empresas com esses segmentos e a representação das periferias pela mídia”, acrescenta Santana.

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Perfil sociodemográfico

A maioria dos participantes da pesquisa é composta por adultos na faixa etária de 30 a 49 anos (58%). Os jovens, entre 18 e 29 anos, representam 25% do total, e os indivíduos com mais de 50 anos correspondem a 17%. Aproximadamente 60% dos entrevistados são mulheres, e 75% se declaram heterossexuais.

No que tange à etnia, oito em cada dez se reconhecem como negros (49% pardos e 33% pretos). Os brancos somam 15% do universo pesquisado.

Quanto à escolaridade, 8% possuem ensino fundamental completo, 35% concluíram o ensino médio, 11% têm ensino superior completo e 5% alcançaram a pós-graduação.

Em termos de renda mensal, cerca de 60% dos entrevistados recebem até um salário mínimo. Em seguida, 27% têm rendimentos entre R$ 1.521 e R$ 3.040, e 15% declaram faixas salariais superiores a R$ 3.040.

A análise da ocupação revela que três em cada dez possuem emprego formal (com carteira assinada). Outros 34% atuam na informalidade (incluindo trabalhadores sem carteira e aqueles que fazem bicos), 17% estão desempregados e 8% encontram-se fora da força de trabalho (como aposentados e estudantes).

De modo geral, 56% dos entrevistados não são beneficiários de programas governamentais, como auxílio gás, aposentadoria ou pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tarifa social de energia elétrica ou seguro-desemprego. Entre os que recebem algum tipo de auxílio, o Bolsa Família/Auxílio Brasil é o mais mencionado (29%).

Infraestrutura territorial

No que diz respeito à infraestrutura local, os moradores foram indagados sobre as transformações mais desejadas em suas comunidades até 2026. As prioridades mais citadas incluem saneamento básico (26%), educação (22%), saúde (20%), transporte (13%) e meio ambiente (7%).

Acerca das alternativas de esporte, lazer e cultura disponíveis nas comunidades, 35% dos entrevistados as classificaram como ruins ou muito ruins, enquanto 32% as consideraram regulares.

Desafios de raça e gênero

Aproximadamente 50% dos entrevistados acreditam que a cor da pele influencia diretamente as oportunidades de trabalho, ao passo que 43% não veem essa relação de impacto.

Para sete em cada dez participantes, a violência doméstica e o feminicídio constituem o maior desafio enfrentado pelas mulheres nas favelas, seguido pela dificuldade de acesso a emprego e renda (43%) e pela carência de apoio no cuidado com os filhos (37%).

Questionados sobre as políticas públicas mais urgentes para as mulheres, as respostas predominantes foram: programas de inserção no mercado de trabalho (62%), campanhas educativas contra o machismo (44%), delegacias e serviços com atendimento 24 horas (43%) e a atenção à saúde da mulher (39%).

Segurança pública

Os residentes das favelas foram consultados sobre quais instituições inspiram confiança na proteção contra a violência. As menções incluíram a Polícia Militar (27%), a Polícia Civil (11%) e a facção atuante na própria favela (7%). Contudo, a opção mais votada, com 36%, foi “nenhuma delas”.

Em relação à presença policial nas favelas, o estudo aponta um "silêncio significativo": 24% dos entrevistados preferiram não se manifestar. Outros 25% declaram que a atuação policial não modifica sua percepção de segurança, enquanto 13% relatam sentir medo e insegurança. Em contraste, 22% afirmam se sentir mais seguros com o policiamento na área.

“Um dado emblemático da pesquisa é a revelação de que o principal anseio é a liberdade de ir e vir com tranquilidade (47%), evidenciando que a visão de futuro ainda está fortemente ligada à sobrevivência e ao receio. Estudos como este servem como um amplificador para a voz já existente nas favelas”, pontua Cléo Santana, copresidente do Data Favela.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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