A Petrobras confirmou, na noite da última quinta-feira (12), que seu Conselho de Administração deu sinal verde para a participação no programa governamental de subvenção econômica ao óleo diesel. Essa decisão abre caminho para que a estatal receba um subsídio de R$ 0,32 por litro do combustível, a ser custeado pelo governo federal.
A medida, detalhada na Medida Provisória 1.340, foi divulgada pelo governo Lula na mesma quinta-feira. O objetivo é oferecer suporte financeiro a produtores e importadores de diesel.
Essa ação surge como uma resposta direta à escalada dos preços do petróleo no mercado global, impulsionada por tensões geopolíticas.
Em contrapartida, a adesão ao programa exige que o desconto seja integralmente repassado ao consumidor final, resultando em preços mais baixos nas bombas.
O posicionamento da Petrobras
Em nota oficial, a Petrobras esclareceu que a participação no programa é facultativa e que a iniciativa está "alinhada aos interesses da companhia".
Contudo, a efetivação da assinatura do termo de adesão está condicionada à divulgação e à subsequente análise, por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), dos instrumentos regulatórios referentes ao preço de referência, essenciais para a operacionalização da subvenção.
Vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), a ANP atua como órgão regulador do setor petrolífero nacional e será responsável por estabelecer os preços de referência, garantindo a verificação de que os descontos cheguem de fato aos consumidores.
A Petrobras reiterou, em seu comunicado, que sua estratégia comercial permanece inalterada, focando na participação de mercado, na otimização de seus ativos de refino e na busca por uma rentabilidade sustentável, evitando que a volatilidade das cotações internacionais e das taxas de câmbio seja repassada aos preços domésticos.
Desoneração de tributos federais
Adicionalmente à subvenção econômica, o governo federal implementou outra medida para mitigar a alta do diesel: a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins, os dois tributos federais incidentes sobre a importação e a comercialização do combustível.
Cálculos do Ministério da Fazenda indicam que a combinação da subvenção econômica com a desoneração tributária tem o potencial de reduzir o preço do litro do diesel em até R$ 0,64. Ambas as iniciativas são de caráter temporário, com validade prevista até 31 de dezembro.
O impacto do Estreito de Ormuz
O cenário internacional tem sido marcado pela escalada de tensões no Oriente Médio, com reflexos diretos no mercado de energia. Uma das possíveis retaliações, neste contexto, é o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma crucial passagem marítima que conecta os golfos Pérsico e de Omã, por onde transita aproximadamente 20% da produção global de petróleo e gás.
Esse estrangulamento na região resulta em uma diminuição da oferta de petróleo no mercado internacional, provocando uma elevação nas cotações. Nesta sexta-feira, o contrato futuro do barril de petróleo Brent, referência global, estava sendo negociado próximo aos US$ 100.
Há cerca de quinze dias, o mesmo barril era cotado em torno de US$ 70, o que representa um aumento de aproximadamente 40% no período. O Irã, por sua vez, tem emitido alertas sobre a possibilidade de o preço do petróleo atingir a marca de US$ 200.

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