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Segunda-feira, 20 de Abril 2026

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Mulheres marcham em Copacabana contra a violência de gênero e o feminicídio

O ato relembrou episódios recentes de violência, como o assassinato de Tainara Souza Santos e um estupro coletivo, reforçando a urgência das demandas.

Redação
Por Redação
Mulheres marcham em Copacabana contra a violência de gênero e o feminicídio
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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No Rio de Janeiro, o Dia Internacional das Mulheres foi marcado por uma grande marcha na Praia de Copacabana. Milhares de mulheres se uniram para protestar veementemente contra o feminicídio e as diversas manifestações de violência de gênero, ao mesmo tempo em que exigiam maior alocação de recursos para as políticas públicas destinadas à promoção da igualdade.

Em um carro de som, diversas porta-vozes de coletivos feministas se revezaram na leitura do manifesto do movimento. As reivindicações abordavam um leque variado de questões, desde a criminalização de grupos que promovem o ódio contra as mulheres e o aumento das licenças-maternidade e paternidade, até a criação de linhas de crédito específicas para mulheres empreendedoras e a implementação de espaços educacionais verdadeiramente inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes. Outra demanda frequentemente mencionada foi o fim da escala de trabalho 6x1.

Fim da violência

Contudo, o ponto principal e mais enfático do protesto era o clamor pelo fim definitivo da violência de gênero. Muitas participantes fizeram questão de relembrar casos recentes e chocantes, como a trágica morte de Tainara Souza Santos, que foi atropelada por um ex-companheiro, e o estupro coletivo brutalmente cometido contra uma adolescente, ocorrido na mesma Copacabana onde o ato se desenrolava.

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Acompanhando o veículo de som, as participantes cantaram uma paródia da clássica canção “Eu quero é botar meu bloco na rua”, de Sérgio Sampaio, com os seguintes versos: “Eu quero é andar sem medo nas ruas. Chega! Queremos viver! Eu quero é ficar sem medo em casa. Chega! Queremos viver!”

À frente da marcha, um grupo de pernaltas carregava uma faixa com a poderosa frase: “Juntas somos gigantes”. As artistas realizaram uma performance simbólica, deitando-se no chão com os olhos fechados para homenagear as mulheres mortas em crimes de violência de gênero. Em seguida, levantaram-se e se posicionaram em círculo, gritando em uníssono as palavras de ordem: “Todas vivas!”

Diferentes gerações

O protesto conseguiu reunir mulheres de diversas gerações. Rachel Brabbins, por exemplo, participou da marcha ao lado de sua filha Amara, de apenas sete anos. A pequena carregava um cartaz com os dizeres: “Lute como uma menina”. Rachel comentou sobre a importância da participação: “Eu acho super importante, pra ela aprender que tem direitos, tem voz e pode falar. Aqui também ela vê a nossa luta, e que estamos todas juntas”.

E não faltaram exemplos de inspiração para a pequena Amara. Como Silvia de Mendonça, que milita em coletivos feministas desde a década de 1980, e fez questão de comparecer à marcha vestindo uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada em março de 2018. Silvia expressou a dor e a importância da figura de Marielle: “A Marielle foi vítima de um crime brutal, que pretendia o silenciamento e o apagamento dela. É uma dor muito entranhada, que se reflete também em outras mulheres vítimas de feminicídio, de violência doméstica, de estupro… E a Marielle se tornou um símbolo de resistência, de que nós temos que nos unir cada vez mais”.

As organizadoras do ato também fizeram um apelo para que os homens se unissem à luta pelo fim das violências. Thiago da Fonseca Martins atendeu ao chamado e participou do protesto junto com seu filho Miguel, de 9 anos. Ele concorda plenamente que os homens devem contribuir de forma ativa, inclusive na criação e educação dos filhos.

“Obviamente, a gente não pode promover violência contra a mulher, mas também temos que promover a igualdade sempre que a gente puder. A gente vive numa sociedade machista, e temos que entender que tivemos uma criação machista, então precisamos sempre ficar atentos, discutir e demover essas ideias”, declarou Thiago.

Para Rita de Cássia Silva, também presente naquela manhã em Copacabana, a educação contra a violência de gênero é um pilar essencial: “Essa cultura misógina é geracional. Ao longo de gerações, muitas mulheres achavam que era normal as violências que elas sofriam, e os filhos assistiam aquilo e achavam que era normal”, disse ela.

Rita completou seu raciocínio: “É ótimo que nós estamos conscientizando a população adulta, mas é importante uma iniciativa, com apoio dos governos, para ajudar as famílias a mudar essa cultura, desde as crianças”.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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