Gazeta do RN

Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 20 de Abril 2026

Geral

Mulheres em Brasília clamam pelo fim da violência no 8 de março

Ato em defesa da vida e contra a jornada 6x1 ressalta desafios enfrentados pelas mulheres.

Redação
Por Redação
Mulheres em Brasília clamam pelo fim da violência no 8 de março
© Valter Campanato/Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A persistência dos feminicídios no Brasil dominou as pautas da celebração do Dia Internacional da Mulher em Brasília. Centenas de participantes, munidas de cartazes com a frase "Parem de nos matar", levantaram a voz contra a violência de gênero que aflige o Distrito Federal (DF) neste domingo (8).

Realizado nas imediações da Torre de TV, na região central de Brasília, o evento reuniu uma diversidade de atores sociais, incluindo grupos musicais, agremiações políticas, entidades sindicais e uma vasta gama de coletivos feministas. Adicionalmente, o protesto pleiteou o término do regime de trabalho 6x1, considerado particularmente oneroso para as mulheres.

A administração do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha, também foi criticada durante o ato. Foi relembrada a controversa tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), a instituição financeira pública do DF.

Publicidade

Entre as reivindicações, o repúdio ao imperialismo ganhou evidência, com críticas às intervenções dos Estados Unidos (EUA) no Irã, em Cuba e na Venezuela. A atuação de Israel na Palestina igualmente foi abordada em discursos e exibida em cartazes durante a caminhada feminina.

Violência de gênero

A artista plástica Daniela Iguizzi, de 55 anos, exibiu sua obra intitulada "Medo", que ilustra um revólver apontado para uma figura feminina.

“As mulheres não desfrutam de um instante de tranquilidade. Não encontram paz em seus lares, nem em seus locais de trabalho. Em qualquer ambiente, estamos sujeitas ao assédio e ao assassinato. Daí o título desta obra: Medo. É o sentimento que permeia a vida de toda mulher brasileira”, declarou à Agência Brasil.

Conforme dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil apenas em 2025, representando um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior.

Raquel Braga Rodríguez, coordenadora do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília, enfatizou que os feminicídios representam uma das maiores angústias para as mulheres brasileiras, e que a manifestação se posiciona firmemente contra essa modalidade de crime.

“O governo instituiu o Pacto Nacional contra o Feminicídio, e nossa expectativa é que essa política pública seja efetivamente implementada, gerando resultados visíveis na diminuição dessas estatísticas”, afirmou Raquel.

Um acordo interinstitucional, envolvendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, foi selado no começo de fevereiro com o propósito de implementar ações de combate à violência de gênero em território nacional.

Lydia Garcia, uma figura histórica e militante do movimento de mulheres negras do Distrito Federal, que celebrou 88 anos na véspera, compareceu ao protesto apesar da ameaça de chuva. Professora de música aposentada e integrante do Coletivo Mulheres Negras Baobá, Lydia é mãe de cinco filhos, avó de onze netos, bisavó de três e uma das pioneiras da capital federal.

“Nós, mulheres, especialmente as mulheres negras, estamos demonstrando a este mundo e a este Brasil nossa resiliência, nossas batalhas e conquistas por um futuro mais promissor, combatendo a violência contra os jovens negros e o feminicídio”, declarou.

Distrito Federal

O Governo do Distrito Federal (GDF), sob a liderança de Ibaneis Rocha e sua vice Celina Leão, figurou entre os principais focos de crítica durante a manifestação do Dia da Mulher em Brasília.

Jolúzia Batista, representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), expressou sua insatisfação com a escassez de recursos destinados às políticas públicas de proteção às mulheres no DF.

“Vivenciamos um escândalo financeiro no Brasil, onde o banco do GDF [o BRB] está sendo negociado de forma questionável, enquanto faltam verbas para as políticas públicas essenciais”, relatou à Agência Brasil.

A Polícia Federal (PF) está apurando a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. O Banco de Brasília avalia a possibilidade de oferecer doze imóveis públicos do DF como garantia para empréstimos, buscando reestruturar seu caixa após prejuízos estimados em R$ 2,6 bilhões decorrentes da compra de créditos do Master.

A ativista da AMB argumentou que, para além da condenação do feminicídio, a mobilização feminina deve focar na garantia de um orçamento adequado que financie políticas públicas capazes de aprimorar a vida de meninas e mulheres.

“É fundamental discutir o orçamento. As emendas parlamentares, incluindo as chamadas emendas Pix, desviaram recursos que seriam destinados às políticas públicas. Isso resultou na perda de qualidade nos serviços, na diminuição da capacitação profissional e na redução das campanhas educativas”, observou.

Avanços da luta das mulheres

Thammy Frisselly, uma das responsáveis pela organização do evento, ressaltou o marco de dez anos da Marcha Unificada do 8 de Março em Brasília e as significativas conquistas alcançadas pelo movimento de mulheres na capital.

“O 8M [8 de março] se consolidou como o principal ato político feminista na capital federal. Presenciamos inúmeros progressos, não apenas na legislação, mas também na ampliação do número de delegacias especializadas no atendimento às mulheres”, explicou Thammy.

Na visão da representante da Assembleia Popular pela Vida de Todas as Mulheres, o debate sobre a violência contra a mulher ganhou espaço na sociedade contemporânea graças à persistente pressão exercida pelos movimentos feministas ao longo das últimas décadas.

“Atualmente, é possível discutir abertamente que um ‘psiu’ na rua ou comentários sobre a vestimenta de alguém configuram violência. Essa conscientização fundamental é fruto direto da luta feminina”, complementou Thammy.

Escala 6x1 e imperialismo

A militante do DF acrescentou que a demanda pelo fim da escala 6x1 é crucial para o movimento das mulheres, que frequentemente já enfrentam jornadas duplas ou triplas, conciliando responsabilidades domésticas, cuidados com idosos e crianças, além de suas atividades profissionais.

“As mulheres necessitam de tempo para cuidar de sua saúde mental, para o lazer, para se dedicarem a outras atividades e para estudar”, elucidou Thammy.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
Comentários:

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR