O Rio Grande do Norte enfrenta uma grave crise hídrica, com 84,4% de seus municípios registrando algum grau de seca, de acordo com levantamento divulgado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn). Os dados fazem parte do Monitor de Secas, com base em informações coletadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e seus parceiros. A análise refere-se ao mês de junho de 2025.
O levantamento identificou que a seca grave avançou sobre o extremo Oeste, enquanto a seca moderada se expandiu nas regiões Centro-Oeste e Oeste. Segundo a classificação do Monitor, 34,1% dos municípios estão sob seca moderada e 30,5% sob seca grave. Já 19,8% apresentaram seca fraca. Apenas 15,6% das cidades potiguares não registraram seca no período. Não foram observados casos de seca extrema ou excepcional.
A situação já afeta diretamente a agropecuária potiguar, especialmente a pecuária de corte e leiteira, bem como as lavouras de milho e feijão. A Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) aponta perdas expressivas na produção e aumento da insegurança alimentar nas regiões Seridó, Oeste e Central. A estiagem também compromete a agricultura familiar.
Apesar do crescimento observado no setor leiteiro nos últimos anos, impulsionado por investimentos em queijarias e frigoríficos privados, a tendência agora é de retração. O secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha, destacou que, embora atividades como carcinicultura e agricultura irrigada devam manter-se estáveis, setores como ovinocultura, caprinocultura e produção de cana-de-açúcar enfrentam riscos elevados.
Diante do cenário, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) liberou R$ 1,7 milhão para ações emergenciais em municípios do Nordeste. No RN, 73 cidades tiveram situação de emergência reconhecida. O estado é o quinto mais afetado da região, atrás de Piauí, Paraíba, Pernambuco e Bahia.
Autoridades estaduais e instituições ligadas à produção rural avaliam medidas de mitigação. Especialistas alertam que a persistência da estiagem reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à adaptação climática, à segurança hídrica e à infraestrutura de suporte à produção rural. A expectativa é que o cenário hidrológico permaneça crítico nos próximos meses.