O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença na cerimônia oficial do Tour da Taça da Copa do Mundo FIFA de 2026, realizada no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (26). O evento contou com a participação de ícones do futebol masculino, como Cafu, Jairzinho, Branco e Edmílson, além da ex-atleta da seleção feminina, Formiga, ministros e outras figuras importantes.
A lendária taça do torneio, que antecede a Copa do Mundo masculina de 2026 – a ser sediada no Canadá, México e Estados Unidos –, tem percorrido diversas nações. No Brasil, o valioso objeto, confeccionado em ouro maciço de 18 quilates e pesando cerca de 6 quilos, já havia sido exibido em São Paulo e no Rio de Janeiro antes de chegar à capital federal.
Esta iniciativa global é uma organização conjunta da Federação Internacional de Futebol (FIFA), entidade responsável pela Copa, e da Coca-Cola, uma de suas patrocinadoras, com o objetivo de levar o troféu original a diferentes países antes do início do campeonato mundial.
Desigualdade de gênero
Durante seu discurso no evento, o presidente Lula defendeu energicamente o futebol feminino, ressaltando que o Brasil sediará a Copa do Mundo feminina no próximo ano. Havia a expectativa de que o troféu do torneio feminino também fosse exibido na cerimônia desta quinta-feira, mas questões logísticas impediram sua apresentação, conforme informado pelos organizadores.
"Esta Copa do Mundo [de futebol feminino] possui particularidades importantes. Primeiramente, é fundamental que comecemos a dar ao futebol feminino o valor que ele realmente merece", afirmou Lula.
O presidente comparou a discrepância salarial entre atletas masculinos e femininos, mencionando que jogadores homens podem receber mensalmente R$ 1,5 milhão, mesmo como reservas, enquanto jogadoras da Seleção Brasileira ganham cerca de R$ 20 mil, ou até menos, como R$ 5 mil em seus clubes.
"É um absurdo a supervalorização do jogador masculino e a subvalorização das atletas mulheres. Isso é um reflexo do preconceito de gênero, uma diferença que persiste na sociedade machista no tratamento dado às mulheres. Elas merecem salários mais justos, pois são profissionais, vivem de sua paixão e sustentam suas famílias através do futebol. Acredito que esta Copa do Mundo seja uma oportunidade para que, após seu término, as mulheres saiam muito mais valorizadas como profissionais e sejam respeitadas da mesma forma que os homens são hoje", completou o presidente.
Redenção
Em sua fala, Lula declarou que a Copa do Mundo feminina de 2027 representa uma chance para o Brasil se redimir do que ele classificou como "vexame" de 2014. Naquele ano, o país sediou o torneio masculino, tristemente marcado pela goleada histórica de 7 a 1 sofrida pela seleção contra a Alemanha na semifinal.
Segundo Lula, o ocorrido não foi um vexame dos jogadores, mas sim do período que o país atravessava, descrito por ele como "delicado, irritante e nervoso". Ele também fez menção às "mentiras inesquecíveis sobre corrupção" veiculadas no contexto das obras para a Copa de 2014 e às vaias direcionadas à então presidente Dilma Rousseff durante o evento.
Em contraste, ao se referir ao cenário atual, Lula afirmou que o Brasil vive um momento consideravelmente mais otimista, com notáveis melhorias nos indicadores econômicos e sociais. Para ele, as condições são favoráveis para que o país reassuma seu papel de destaque também no futebol.
"Não permitiremos que nada externo ao futebol abale o espírito de nossas guerreiras, e que esta Copa sirva de exemplo, diferente da de 2014", enfatizou Lula.
O presidente também fez referência ao pacto contra o feminicídio, lembrando que mais de 1,7 mil mulheres foram assassinadas no ano passado, e incentivou a presença massiva do público feminino nos estádios durante a Copa do Mundo feminina do próximo ano.
Copa de 2026
Em relação ao torneio masculino, o presidente revelou ter conversado com o técnico Carlo Ancelotti e se mostrou "convencido" da conquista do hexacampeonato.
"Conversei com o Ancelotti e o considerei uma figura extremamente séria, com a cabeça no lugar. E quando um técnico demonstra seriedade, os jogadores geralmente reconhecem suas responsabilidades. Estou certo de que vamos conquistar esta Copa", ressaltou.

Comentários: