O Censo Escolar 2025, conduzido anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revela um avanço notável nas matrículas da educação profissional e tecnológica (EPT), com um aumento de 68,4% em um período de cinco anos.
Em 2021, o país contabilizava 1.892.458 matrículas totais. Em 2025, esse número atingiu a expressiva marca de 3.187.976 alunos.
Os dados referentes à primeira fase do Censo Escolar 2025 foram apresentados na quinta-feira (26) em Manaus, resultado da colaboração entre o Ministério da Educação (MEC) e o Inep.
Políticas públicas
O crescimento da educação profissional e tecnológica (EPT) ganhou impulso significativo, especialmente a partir de 2023.
Conforme o MEC, esse incremento é um reflexo direto da implementação de políticas públicas voltadas a tornar o ensino médio mais atrativo e alinhado com as demandas do mercado de trabalho.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destaca que o Programa Juros por Educação, estabelecido em 2025, tem a expectativa de expandir o número de vagas em cursos técnicos por todo o Brasil.
Essa iniciativa, que faz parte do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), busca incentivar os estados a investir na criação de novas vagas gratuitas em cursos técnicos integrados e concomitantes ao ensino médio, incluindo a modalidade de educação de jovens e adultos (EJA), em cursos técnicos subsequentes, além de aprimorar a infraestrutura das redes estaduais e a formação de professores. Até o momento, 22 estados já aderiram ao programa.
"A previsão é que o Propag receba um investimento de R$ 8 bilhões neste ano, o que permitirá a criação de 600 mil novas vagas no ensino técnico do ensino médio em 2026", projeta o ministro da Educação, Camilo Santana.
Para Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, a expansão da educação profissional e tecnológica representa um avanço audacioso que demandará estratégia, planejamento e ações coordenadas de todas as redes estaduais de ensino para absorver o aumento de vagas e garantir uma educação de qualidade aos estudantes.
"Esta é uma oportunidade sem precedentes no país, que contribuirá significativamente para o desenvolvimento social e econômico do Brasil", avalia.
Distribuição de matrículas
O censo também detalha a participação de cada esfera administrativa – estadual, federal e municipal – na oferta de vagas dentro da educação profissional e tecnológica.
As redes estaduais de ensino foram responsáveis por 81,7% das matrículas na educação profissional pública em 2025.
A rede federal, que engloba institutos federais (IFs) e unidades de ensino técnico ligadas a universidades federais, representou 15,4% do total de matrículas.
Já a rede municipal registrou a menor parcela, atendendo a apenas 2,8% dos estudantes.
Modalidade de ensino
Os cursos técnicos podem ser estruturados de forma articulada e integrada ao ensino médio.
Há a modalidade concomitante, destinada a estudantes que estão iniciando ou já cursando essa etapa do ensino.
Existe, ainda, o modelo subsequente, voltado para aqueles que já concluíram o ensino médio.
A oferta pode ocorrer tanto na mesma instituição de ensino quanto em escolas distintas.
O Censo Escolar 2025 revelou que o modelo de ensino médio articulado ao itinerário formativo técnico profissional (curso técnico em conjunto com o ensino médio) se consolidou como líder absoluto, alcançando 1.200.606 matrículas em 2025.
Em seguida, destacaram-se no último ano:
- O curso técnico subsequente, com 832.032 alunos, direcionado a quem já concluiu o ensino médio e busca especialização;
- O itinerário formativo articulado (qualificação profissional), que registrou 517.422 matrículas;
- O ensino médio na modalidade de magistério, com 32.529 matrículas.
Diogo Jamra, do Itaú Educação e Trabalho, comemora o aumento de 57% nas matrículas da Educação Profissional e Tecnológica integrada ao ensino médio, comparando 2025 com 2024.
"O crescimento foi ainda mais expressivo, atingindo 61,04% na rede pública. Esses dados demonstram uma expansão acelerada e consistente da EPT no Brasil", celebra.
Os cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) integrados à modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no ensino médio totalizaram, em 2025, mais de 134,9 mil matrículas, o que sublinha a importância da requalificação para públicos que já ultrapassaram a idade escolar regular.
Estados
O Censo Escolar 2025 indica que a média nacional para a proporção entre matrículas em cursos técnicos articulados e o total de matrículas do ensino médio regular na rede pública é de 20,1%.
Com base nos dados censitários, Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais, Indicadores e Controle de Qualidade do Censo da Educação Superior da Diretoria de Estatísticas do Inep (Deed), traça um paralelo com o crescimento. "Saímos de uma condição pós-pandemia, onde apenas 10% das matrículas do ensino médio estavam ligadas à educação profissional. Em 2025, dobramos o número de matrículas nessa modalidade, alcançando 20,1%", compara.
O Piauí lidera o ranking nacional de integração entre ensino médio e educação profissional, atingindo a marca histórica de 68,8% de articulação técnica na rede pública, um índice aproximadamente 3,4 vezes superior à média brasileira.
No topo do ranking, também figuram:
- Paraíba: 34,7%;
- Acre: 34,1%;
- Paraná: 32,9%;
- Espírito Santo: 32,5%.
Na outra extremidade da tabela, Amazonas (5,2%) e Distrito Federal (6,9%) apresentam os menores índices de integração técnica na rede pública.
Áreas mais procuradas
A pesquisa indica que o setor de educação profissional técnica de nível médio no Brasil exibe uma concentração notável em áreas vinculadas ao mercado corporativo e à saúde.
Os quatro principais eixos tecnológicos que lideraram as matrículas no país em 2025 foram:
- Gestão e negócios: o líder, com 28,9% das matrículas, totalizando 534.056 estudantes no ensino público e mais 177.015 no privado;
- Ambiente e saúde: ocupa a segunda posição, com 711.071 (sendo 177.671 matrículas públicas e 326.327 na rede privada);
- Informação e comunicação: este eixo somou 424.628 alunos (348.698 na rede pública e 75.930 na privada);
- Controle e processos industriais: registrou 292.383 estudantes (159.767 matrículas públicas e 132.616 privadas).
Dentro desses eixos, as carreiras que mais atraem estudantes para a EPT são:
- Administração (eixo gestão e negócios): é o curso mais procurado da lista, com um total de 395.059 alunos, sendo amplamente ofertado pela rede pública (327.924);
- Enfermagem (eixo ambiente e saúde): totaliza 298.699 matrículas e apresenta forte predominância da rede privada, com 241.455 desses alunos;
- Informática (eixo informação e comunicação): registra 167.134 estudantes, com 141.593 matrículas na rede pública;
- Desenvolvimento de sistemas (eixo informação e comunicação): com 150.864 matriculados.
Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, sublinha a relevância dessa etapa escolar para a formação da juventude brasileira, como um caminho para uma inserção digna no mundo do trabalho.
"A educação profissional e tecnológica não representa o fim da trajetória educacional do estudante; pelo contrário, ela o impulsiona a prosseguir os estudos e, se houver interesse, a ingressar no ensino superior", afirmou.
Censo
O Censo Escolar 2025 compila informações detalhadas sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as fases e modalidades da educação básica. Esses dados são fundamentais para a formulação, acompanhamento e avaliação de políticas públicas.
Para consultar os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, basta acessar a página eletrônica de resultados do Inep.

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