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Quarta-feira, 11 de Março 2026

Economia

Contratação de profissionais com mais de 50 anos cresce no comércio e serviços em São Paulo

O fenômeno reflete o envelhecimento da força de trabalho e a prolongada atuação de indivíduos experientes no mercado.

Redação
Por Redação
Contratação de profissionais com mais de 50 anos cresce no comércio e serviços em São Paulo
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A participação de trabalhadores com mais de 50 anos na força laboral apresentou um crescimento contínuo entre janeiro e novembro de 2025, conforme revelado por um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) sobre as admissões nos setores de comércio e serviços.

No período analisado, de um total de 5,88 milhões de admissões formais registradas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a fatia desses profissionais mais experientes atingiu 9%. Em 2021, esse percentual era inferior, marcando 7%.

A maior parcela das contratações, 48%, correspondeu a trabalhadores com até 29 anos, enquanto 43% foram de pessoas na faixa etária entre 30 e 49 anos.

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Segundo a FecomercioSP, o setor de serviços é o que mais emprega esse perfil etário, com 10% das admissões acumuladas até novembro, superando os 8% registrados no comércio atacadista.

Por outro lado, o comércio varejista concentra uma força de trabalho mais jovem, com 57% das contratações sendo de indivíduos com até 29 anos.

Mesmo assim, a representatividade de trabalhadores com mais de 50 anos no comércio varejista subiu de 5% para 8%, comparando os meses de novembro de 2021 e 2025. No mesmo recorte, a participação dos mais jovens recuou de 60% para 56%.

“O aumento da presença de profissionais com mais de 50 anos nas admissões está ligado ao envelhecimento da população economicamente ativa, à maior permanência dessas pessoas no mercado e à valorização, por parte das empresas, de atributos como experiência, estabilidade e menor rotatividade. Esses fatores são particularmente importantes nos setores de Comércio e Serviços, que enfrentam elevados custos associados ao turnover”, explica a FecomercioSP.

Presença feminina no mercado

O levantamento apontou também que, entre janeiro e novembro de 2025, os setores de comércio e serviços contrataram 3,15 milhões de mulheres e 2,73 milhões de homens.

Em comparação com o mesmo período de 2021, a participação feminina avançou 3 pontos percentuais (p.p.), passando a compor 54% das admissões.

No segmento comercial, o varejo tem 55% das contratações ocupadas por mulheres. Já no atacado, os homens ainda lideram, com 60%. Nos serviços, as mulheres representam 54% do total contratado.

“A maior participação feminina reflete transformações estruturais no mercado de trabalho e na sociedade brasileira, como a expansão de atividades intensivas em atendimento, vendas e serviços administrativos, além do avanço da escolaridade média das mulheres e de mudanças nos arranjos familiares e sociais”, detalha a FecomercioSP.

Nível de escolaridade dos contratados

De acordo com os dados, o ensino médio completo é o nível de formação mais comum entre as admissões do comércio e dos serviços, concentrando 68% das contratações realizadas entre janeiro e novembro de 2025.

Os profissionais que estudaram até o ensino médio representam 15% das admissões, enquanto aqueles com ensino superior somam 17%. A maior proporção de profissionais com nível superior (20%) está no setor de Serviços.

“Apesar de um leve aumento da participação de pessoas com menor nível de escolaridade e estabilidade do contingente com nível superior, os números apontam para uma consolidação do ensino médio como o principal nível de escolaridade exigido pelo mercado. Esse comportamento evidencia que o crescimento do emprego ocorre, majoritariamente, em funções de média qualificação, reforçando a importância de políticas de formação técnica e qualificação profissional alinhadas com as necessidades dos setores”, destaca a entidade.

Impactos, tendências e os desafios futuros

Para a FecomercioSP, a transição no perfil das contratações gera reflexos significativos para os setores, demandando a adaptação das políticas de gestão de pessoas, a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e a implementação de estratégias de atualização contínua de competências.

Esse movimento também está associado a um contexto de escassez relativa de mão de obra, especialmente em ocupações operacionais e de média qualificação, o que tem levado as empresas a ampliarem o público potencial de contratação, com maior valorização de trabalhadores mais experientes e a manutenção do ensino médio completo como o principal patamar de escolaridade exigido.

“Além disso, as mudanças estruturais da sociedade brasileira, marcadas pela maior participação das mulheres no mercado de trabalho, pelo avanço da autonomia econômica feminina e por transformações nos arranjos sociais e familiares, contribuem de forma substancial para a ampliação da presença dessa parcela da população nas admissões, principalmente no comércio e no serviços.”

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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