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Quarta-feira, 11 de Março 2026

Economia

A dívida pública federal cresce 18% em 2025 e ultrapassa R$ 8,6 trilhões

Juros elevados e emissões líquidas de títulos foram os principais impulsionadores do aumento do endividamento federal no ano passado.

Redação
Por Redação
A dívida pública federal cresce 18% em 2025 e ultrapassa R$ 8,6 trilhões
© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
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O expressivo acúmulo de juros, em conjunto com as novas emissões de títulos governamentais, impulsionou o crescimento da Dívida Pública Federal (DPF) ao longo de 2025. Conforme dados revelados nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, o estoque da DPF atingiu R$ 8,635 trilhões no encerramento do ano passado, representando um aumento de 18% na comparação com os R$ 7,316 trilhões apurados no final de 2024.

A principal razão para o incremento do passivo federal reside na apropriação de juros, que totalizou R$ 879,9 bilhões no período. A parcela remanescente do aumento é atribuída às emissões líquidas realizadas pelo Tesouro em 2025, que superaram os resgates em R$ 439,06 bilhões.

Somente no mês de dezembro, a DPF registrou um crescimento de 1,82%. Apesar desse avanço, o endividamento concluiu 2025 dentro da faixa estipulada pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) vigente, que previa um patamar entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões para o fechamento do ano. Contudo, é importante notar que o PAF havia sido atualizado em setembro do ano anterior, pois a versão inicial limitava a dívida pública a um máximo de R$ 8,5 trilhões.

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A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) expandiu 19,26% ao longo do último ano, passando de R$ 6,967 trilhões em dezembro de 2024 para R$ 8,309 trilhões no final de 2025. Em dezembro isoladamente, o aumento foi de 1,76%. Nesse mês, o Tesouro realizou emissões líquidas de R$ 60,82 bilhões em títulos, com destaque para os indexados à Taxa Selic. Adicionalmente, houve uma apropriação de R$ 82,82 bilhões em juros.

O processo de apropriação de juros consiste no reconhecimento mensal, por parte do governo, da correção dos juros incidentes sobre os títulos, incorporando esse montante ao volume total da dívida pública. Com a Taxa Selic, referência para os juros básicos da economia, fixada em 15% anuais, a apropriação de juros exerce uma pressão considerável sobre o endividamento estatal.

Em dezembro, o Tesouro efetuou a emissão de R$ 65,37 bilhões em títulos da DPMFi. Devido ao reduzido volume de vencimentos de papéis prefixados no mesmo período, os resgates totalizaram um montante inferior, de R$ 4,55 bilhões.

Em contraste, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) registrou uma retração de 6,62% em 2025, impulsionada pela desvalorização do dólar no ano. Seu valor diminuiu de R$ 349,19 bilhões no encerramento de 2024 para R$ 326,07 bilhões ao final de 2025. Entretanto, em dezembro, o indicador apresentou um aumento de 3,53%. Esse crescimento mensal foi predominantemente influenciado pela valorização de 3,16% do dólar, em um cenário de incertezas geradas pelo governo de Donald Trump, e pelo incremento nas transferências de recursos para o exterior, antecipando a implementação da reforma do Imposto de Renda.

Reserva de liquidez

Após um período de dois meses de crescimento, a reserva de liquidez da dívida pública, conhecida como "colchão" – um fundo estratégico para momentos de instabilidade ou alta concentração de vencimentos –, apresentou uma redução em dezembro. O montante dessa reserva diminuiu de R$ 1,213 trilhão em novembro para R$ 1,187 trilhão no último mês. De acordo com o Tesouro Nacional, a principal causa para essa queda foi o baixo volume de emissões líquidas (emissões subtraídas dos resgates) registradas no período.

No momento, essa reserva estratégica é suficiente para cobrir 7,33 meses de vencimentos da dívida pública. Para os próximos 12 meses, estima-se que R$ 1,507 trilhão em títulos federais deverão ser resgatados.

Estrutura da dívida

Em decorrência da expressiva emissão de títulos indexados à Selic, a distribuição da DPF sofreu as seguintes alterações entre novembro e dezembro:

•     Títulos atrelados à Selic: de 48,14% para 48,25%;

•     Títulos corrigidos pela inflação: de 26,1% para 25,93%;

•     Títulos prefixados: de 22,07% para 22,05%;

•     Títulos indexados ao câmbio: de 3,7% para 3,76%.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta que a composição dos títulos ao final do ano se situará nos seguintes limites:

•     Títulos atrelados à Selic: entre 48% e 52%;

•     Títulos corrigidos pela inflação: entre 24% e 28%;

•     Títulos prefixados: entre 19% e 23%;

•     Títulos indexados ao câmbio: entre 3% e 7%.

Em condições normais, os títulos prefixados, cujas taxas são estabelecidas no ato da emissão, oferecem maior previsibilidade para a gestão da dívida pública, uma vez que os rendimentos são conhecidos previamente. Contudo, em cenários de volatilidade no mercado financeiro, a emissão desses papéis tende a diminuir, pois os investidores demandam juros mais elevados, o que poderia comprometer a sustentabilidade da administração do endividamento governamental.

Quanto aos títulos indexados à Taxa Selic, os juros básicos da economia, eles têm despertado o interesse dos investidores em virtude dos recentes aumentos implementados pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Já a dívida cambial engloba tanto os antigos títulos da dívida interna com correção em dólar quanto o próprio endividamento externo.

Maturidade média

O prazo médio de vencimento da DPF apresentou uma leve variação, passando de 4,08 anos em novembro para 4 anos em dezembro. O Tesouro Nacional disponibiliza essa estimativa exclusivamente em anos. Este período representa o tempo médio que o governo leva para refinancinar sua dívida pública. Prazos mais estendidos são geralmente interpretados como um sinal de maior confiança dos investidores na solidez e capacidade do governo de cumprir suas obrigações financeiras.

Perfis dos credores

A distribuição dos credores da Dívida Pública Federal interna configurou-se da seguinte forma:

•     Instituições financeiras: 32,88% do total;

•     Fundos de pensão: 22,76%;

•     Fundos de investimentos: 20,79%;

•     Investidores não-residentes (estrangeiros): 10,35%;

•     Outros grupos: 13,22%.

Mesmo diante de um cenário de maior instabilidade no mercado financeiro em dezembro, a fatia dos investidores não-residentes (estrangeiros) na dívida aumentou, saindo de 10,05% em novembro. Em novembro de 2024, esse percentual havia alcançado 11,2%, marcando o patamar mais elevado desde 2018.

A dívida pública representa o mecanismo pelo qual o governo obtém recursos financeiros junto a investidores para cumprir suas obrigações. Em contrapartida, o Estado se compromete a restituir esses valores após um determinado período, acrescidos de uma correção, que pode ser atrelada à Taxa Selic (os juros de referência da economia), à inflação, ao câmbio do dólar ou ser estabelecida de forma prefixada no momento da contratação.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Gazeta do RN
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